Professores, cientistas e médicos lideram ranking de confiança no Brasil
A nova edição Monitor Global de Confiança nas Profissões da Ipsos mostra que os professores são os profissionais que mais inspiram confiança entre os brasileiros, com 56% dos entrevistados declarando confiar na categoria. Na sequência, vêm os cientistas (53%) e os médicos (52%). Globalmente, estas também são as três profissões mais citadas pelos entrevistados nos 31 países, só que em uma ordem diferente, como os médicos liderando com 58%, seguidos por cientistas (57%) e professores (53%).
Na outra ponta do ranking brasileiro estão os políticos, categoria em que 66% dos brasileiros afirmam não confiar. Influenciadores de redes sociais e ministros do governo aparecem em seguida, empatados com 57% de desconfiança. Políticos (61%) e influenciadores (58%) também são os piores avaliados globalmente.
Os resultados sugerem que a credibilidade se concentra em profissionais associados ao conhecimento, à formação e ao cuidado, enquanto categorias ligadas à política e à exposição pública nas redes sociais estão entre as que registram maior desconfiança.
O levantamento também revela diferenças entre homens e mulheres. Nos três grupos mais bem avaliados pelos brasileiros, o nível de confiança é maior entre as mulheres.
Entre os professores, 60% das mulheres afirmam confiar nesses profissionais, contra 51% dos homens. No caso dos cientistas, os índices são de 56% e 49%, respectivamente. Entre os médicos, a diferença entre os gêneros é menor: 52% das mulheres confiam nesses profissionais, ante 51% dos homens.
A relação se inverte quando são consideradas as categorias que estão entre as menos confiáveis. Os homens apresentam percentuais mais elevados de desconfiança em relação aos políticos, ministros de governo e influenciadores.
Entre os políticos, 69% dos homens afirmam não confiar nessa categoria, contra 62% das mulheres. Para ministros de governo, os índices são de 61% e 53%, respectivamente. Já entre influencers de redes sociais, a desconfiança é de 60% entre os homens e 54% entre as mulheres.
“O Brasil, assim como quase todos os países da pesquisa, apresenta um saldo bastante negativo de confiança. Isso mostra um desgaste generalizado, não apenas das instituições – e das profissões que as representam –, mas também uma baixa confiança entre as pessoas”, comenta Priscilla Branco, diretora de opinião pública e reputação corporativa na Ipsos. No Brasil, 28% dos entrevistados consideram outras pessoas comuns confiáveis, um número muito abaixo de Índia (53%), Argentina (46%) e México (45%).
Gerações têm percepções diferentes sobre as profissões mais confiáveis
A análise por geração também aponta diferenças importantes. A confiança nos professores é maior entre os Baby Boomers e a Geração Z, com 60% em ambos os grupos.
Entre os cientistas, os maiores índices de confiança aparecem entre os Millennials (54%) e a Geração Z (53%). Já os médicos têm maior nível de confiança entre os Baby Boomers (60%), seguidos por Millennials e Geração Z, empatados em 54%.
Na outra ponta, os Baby Boomers são a geração que mais desconfia dos políticos (71%) e dos ministros de governo (63%). Os Millennials, por sua vez, apresentam o maior nível de desconfiança em relação aos influencers de redes sociais, com 59%.
Forças Armadas, Polícia e Judiciário
O estudo também avaliou a confiança dos entrevistados em diferentes instituições e profissões.
No Brasil, 29% dos entrevistados afirmam confiar nos membros das Forças Armadas, enquanto 33% dizem não confiar. Na média global, os índices são de 36% e 31%, respectivamente.
A polícia registra 27% de confiança no Brasil, enquanto 36% dos entrevistados afirmam não confiar. Na média dos países pesquisados, os índices são de 36% e 32%.
Entre os juízes, 26% dos brasileiros afirmam confiar e 36% não confiam, ante 36% e 31% na média global.
Outras categorias avaliadas pelo estudo incluem empreendedores de tecnologia, advogados, apresentadores de telejornal, sacerdotes/pastores, jornalistas, banqueiros, funcionários do governo/servidores públicos e líderes empresariais.
Chatbots de IA ainda enfrentam desafio de confiança dos brasileiros
A pesquisa também investigou a percepção dos entrevistados sobre chatbots de inteligência artificial.
No Brasil, 25% dos entrevistados afirmam confiar nos chatbots de IA, enquanto 40% não confiam. Na média dos 31 países pesquisados, 23% consideram esses sistemas confiáveis e 40% os classificam como não confiáveis.
Os dados indicam que, apesar da rápida incorporação da inteligência artificial ao cotidiano, a confiança nesses sistemas ainda está em construção – um cenário que pode estar relacionado à familiaridade, às dúvidas sobre a precisão das informações e à compreensão sobre como essas tecnologias funcionam.
Sobre o estudo
O Monitor Global de Confiança nas Profissões 2026 foi realizado pela Ipsos em 31 países, por meio da plataforma online Global Advisor, entre 19 de junho e 3 de julho de 2026. Ao todo, foram entrevistados 23.537 adultos com 18 anos ou mais.
No Brasil, a amostra consiste em aproximadamente 1.000 indivíduos. Os dados são ponderados para que a composição da amostra de cada país reflita melhor o perfil demográfico da população adulta, de acordo com os dados do censo mais recente.
A precisão das pesquisas on-line da Ipsos é calculada usando um intervalo de credibilidade, sendo que uma pesquisa com N=1.000 tem uma margem de erro de +/- 3,5 pontos percentuais e uma pesquisa com N=500 tem uma margem de erro de +/- 5,0 pontos percentuais. Para mais informações sobre o uso de intervalos de credibilidade pela Ipsos, visite o site da Ipsos.
Sobre a Ipsos
A Ipsos é uma empresa de pesquisa de mercado independente, presente em 90 mercados. A companhia, que tem globalmente mais de 6.000 clientes e 20.000 colaboradores, entrega dados e análises sobre pessoas, mercados, marcas e sociedades para facilitar a tomada de decisão das empresas e das organizações. Maior empresa de pesquisa eleitoral do mundo, a Ipsos atua ainda nas áreas de marketing, comunicação, mídia, customer experience, engajamento de colaboradores e opinião pública. Os pesquisadores da Ipsos avaliam o potencial do mercado e interpretam as tendências. Desenvolvem e constroem marcas, ajudam os clientes a construírem relacionamento de longo prazo com seus parceiros, testam publicidade e medem a opinião pública ao redor do mundo.