Entre o acelerar e o frear: confiança do consumidor segue resiliente
O "Acelera e Freia" da Confiança: ICC registra 52,2 pontos em setembro, consolidando um semestre de estabilidade oscilante
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Ipsos fechou o mês de setembro de 2026 em 52,2 pontos. O recuo de 1,2 em relação a agosto não inaugura uma tendência de queda, mas sim a consolidação de um padrão comportamental de "acelera e freia" que vem marcando o indicador nos últimos quatro meses. De maio para junho, o índice subiu; em julho, recuou; em agosto, avançou novamente; e agora, em setembro, oscila para baixo.
Na prática, o ICC trafega lateralmente, mantendo-se sempre acima da linha de neutralidade (50 pontos) e em um patamar muito semelhante ao registrado no mesmo período do ano passado, quando marcou 51,7 pontos (setembro de 2025).
A análise dos subíndices de setembro reforça esse pragmatismo do consumidor. Enquanto o índice de Expectativas Futuras manteve-se resiliente e operou com leve alta (66,8 pontos), o subíndice de Situação Atual sofreu um reajuste e recuou para 42,2 pontos, acompanhado pelo índice de Investimento (48,2 pontos). O brasileiro segue confiante no amanhã, mas intercala meses de maior ou menor cautela com os gastos do presente, regulando o próprio orçamento.
A Blindagem do Bolso e o Reflexo nas Ruas
Um dos grandes achados deste mês é a constatação de que o indicador de confiança econômica (ICC) parece atuar de forma blindada aos ruídos do cenário eleitoral e político. As eleições, que agora dominam o noticiário, não estão nem impulsionando nem derrubando o otimismo econômico.
Toda a carga de tensão gerada pela polarização política e social é desaguada no estudo parceiro What Worries the World. A percepção de que a economia atual é "boa" caiu para 30%, e o indicador de que o Brasil está no "rumo certo" recuou para 36%.
As dores estruturais monopolizam a atenção do cidadão: o Crime e a Violência atingiram 52% de menções (ultrapassando a barreira da metade da população). Curiosamente, a Corrupção apresentou um leve recuo em setembro, ficando em 35%, mas a expectativa é que o tema retome força e suba nos próximos levantamentos, ancorado pelo aquecimento dos debates eleitorais e pelas grandes pautas recentes envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).
O Contraste Global
No cenário internacional, o mês de setembro apresentou ajustes de intensidade variável. Na América do Sul, a Argentina sofreu um recuo de 6,1 pontos em seu ICC em relação ao ano anterior, refletindo a continuidade das tensões sobre o ajuste econômico. Na Europa, a Alemanha registrou retração de 5,6 pontos no período de um ano enquanto a Suécia seguiu na contramão, com ganhos importantes de 3,5 pontos em sua confiança versus o mês anterior.
"O ICC de setembro, em 52,2 pontos, coroa o que podemos chamar de 'estabilidade oscilante'. O consumidor brasileiro engatou em um padrão de 'acelera e freia' constante ao longo dos últimos meses. Isso demonstra uma racionalidade enorme: ele não se deixa levar por otimismos exagerados, mas também não cede ao pessimismo, mantendo o índice acima dos 50 pontos, de forma muito parecida com o cenário de 2025. O insight mais valioso para a nossa área de Experiência é observar como o cidadão separou as coisas. O bolso dele, ancorado pelo emprego, segue estável, com as Expectativas Futuras em robustos 66,8 pontos. No entanto, o nervosismo eleitoral e as crises institucionais impactam diretamente a sua vida nas ruas. Com o crime preocupando 52% da população e a pauta da corrupção pronta para reaquecer com os debates recentes sobre o STF, o cliente está em alerta. Para as marcas, isso significa que a jornada de compra não pode ser mais um gerador de estresse. É fundamental oferecer consistência, segurança e uma operação sem sobressaltos para um consumidor que, do lado de fora da loja, já lida com incertezas demais." — Rafael Lindemeyer, Líder do Cluster de Experience da Ipsos Brasil.