Crescimento da Corrupção Preocupa Brasileiros

Com 42%, a corrupção avança e torna-se a segunda maior preocupação nacional em ano eleitoral.

A edição de março do Ipsos What Worries the World mostra um Brasil em que as principais preocupações se mantêm elevadas e relativamente estáveis, com poucos movimentos mais bruscos na composição do ranking. Crime e violência permanecem na liderança, atingindo 48%, com leve recuo de 1 ponto percentual em relação a fevereiro, mas ainda 5 pontos acima de março de 2025. O dado reforça que, mais do que oscilações mensais, há uma consolidação do tema no centro das angústias do país, sustentada tanto por fatores estruturais quanto pela recorrência de episódios de violência que mantêm a pauta em evidência no debate público.

Na sequência, a corrupção alcança 42%, com avanço de 2 pontos no mês e um crescimento expressivo de 14 pontos na comparação anual, consolidando-se como a segunda principal preocupação dos brasileiros. Esse movimento dialoga com a maior presença do tema no noticiário recente, com episódios como o caso envolvendo o Banco Master, que ganhou repercussão nas últimas semanas, além de um ambiente político mais aquecido em um ano de eleições, em que debates sobre integridade, uso de recursos e responsabilidade fiscal tendem a ganhar ainda mais visibilidade. Pobreza e desigualdade social aparecem em seguida, com 36% (+2 p.p. no mês e +2 p.p. vs. março de 2025), refletindo a persistência de pressões estruturais ligadas à renda e ao custo de vida. Já a saúde recua para 35%, com queda de 3 pontos no mês, perdendo posição no ranking, ainda que se mantenha acima do patamar observado um ano atrás (+3 p.p.), o que indica que o tema segue relevante, mas com menor centralidade neste momento.

A percepção sobre o rumo do país apresenta leve melhora, com avanço de 1 ponto percentual entre os que acreditam que o Brasil está na direção certa. O movimento, embora moderado, indica uma pequena inflexão no humor após meses de maior pressão. No cenário internacional, no entanto, a tendência é distinta: nos Estados Unidos, a percepção de rumo certo recua 4 pontos no mês, refletindo um ambiente ainda marcado por incertezas econômicas e por um debate político cada vez mais polarizado; na Argentina, a queda é ainda mais acentuada, de 6 pontos, em um contexto de ajuste econômico profundo e impactos sociais relevantes; já a França segue na última posição do ranking, com apenas 9% da população acreditando que o país está no caminho certo, refletindo um cenário prolongado de insatisfação com a condução econômica e política.

No cenário global, o quadro permanece relativamente estável, com crime e violência (33%) liderando as preocupações, seguido por desemprego, inflação e pobreza e desigualdade, que continuam entre os temas mais citados. A fotografia internacional indica menos uma ruptura e mais a persistência de um ambiente de pressão contínua, em que questões econômicas e sociais seguem moldando o humor das populações.

Nos Estados Unidos, a inflação se mantém como a principal preocupação, atingindo 38%, com avanço de 6 pontos percentuais no mês, embora ainda abaixo do patamar registrado um ano antes (-5 p.p.). O movimento ocorre em um contexto em que dados recentes voltaram a pressionar a percepção sobre preços, especialmente em serviços e itens do cotidiano, além de um debate crescente sobre o ritmo de queda da inflação e seus impactos no poder de compra. Já na Argentina, o destaque é a forte alta da preocupação com desemprego, que atinge 60%, com um avanço expressivo de 13 pontos no mês e 17 pontos na comparação anual. Trata-se de um dos movimentos mais intensos do período, refletindo um ambiente econômico ainda em ajuste, com impacto direto sobre o mercado de trabalho e aumento da percepção de insegurança entre os consumidores.

Os resultados de março mostram um Brasil em que as preocupações seguem concentradas em temas já conhecidos, com variações pontuais ao longo do mês. Segurança, corrupção e desigualdade permanecem como eixos centrais do debate público, em um contexto em que fatores estruturais e o noticiário recente continuam atuando de forma combinada na formação da percepção da população.

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