Crime e violência dispara entre as preocupações dos brasileiros
A edição de fevereiro do Ipsos What Worries the World mostra uma piora significativa nas duas principais preocupações dos brasileiros. Crime & Violência, que segue na primeira posição entre as maiores apreensões, avançando 8 p.p.. Já a Corrupção, que aparece em segundo lugar, sobe 7 p.p. No caso da violência, o avanço dialoga diretamente com a repercussão de episódios recentes que dominaram o debate público. Os números recordes de feminicídio reforçaram a percepção de insegurança, sobretudo entre mulheres. Soma-se a isso a ampla mobilização em torno do caso do cachorro Orelha, que, embora de natureza distinta, também alimentou discussões sobre violência e brutalidade. Quando casos de grande carga simbólica ocupam simultaneamente o noticiário e as redes sociais, a sensação coletiva de risco se intensifica e os dados capturam essa atmosfera. Já no caso da corrupção, as investigações do escândalo do Banco Master e da fraude do INSS seguem dando visibilidade a este problema crônico do país. Ambas as preocupações, se olharmos os últimos 12 meses, subiram 11 p.p. quando comparadas a fevereiro de 2025.
No cenário global, as oscilações são mais moderadas, mas o pano de fundo permanece tensionado, com crime e violência (33%), inflação (29%) e pobreza e desigualdade (28%) figurando entre as principais preocupações. Nos Estados Unidos, a imigração recupera relevância nas preocupações em fevereiro, subindo 5 pontos percentuais. Isso ocorre em um contexto de ampla mobilização de protestos em todo o país contra as operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), especialmente após confrontos e mortes de civis envolvendo estes agentes em Minneapolis, e relatórios mostrando que grande parte das pessoas detidas não tinham antecedentes criminais, fatores que ampliam o debate público sobre políticas migratórias e segurança. Na Argentina, a alta de 11 pontos percentuais em crime e violência se dá em meio a uma onda de protestos e uma greve geral contrapropostas de reforma trabalhista do governo, que provocaram confrontos nas ruas e paralisações de serviços, evidenciando uma forte tensão social que alimenta a percepção de insegurança.