Global Advisor: Populismo e Nativismo

73% brasileiros acreditam que país precisa de um líder forte para sair das mãos de ricos e poderosos. Brasil é o segundo que mais acredita que a sua sociedade, como instituição, está corrompida.

Autor(es)

  • Priscilla Branco Manager Public Affairs, Brasil
Get in touch

O Brasil precisa de um líder forte para recuperar o país dos ricos e poderosos, na opinião de 73% dos entrevistados da pesquisa Global Advisor “Populist and Nativist Sentiment in 2019”, da Ipsos. O índice é maior do que o da pesquisa anterior, de 2016, quando 68% dos brasileiros concordavam com a afirmação. Globalmente, o índice é menor, de 64%, tendo aumentado um ponto percentual em relação à edição anterior.
Pouco mais da metade dos brasileiros (53%) acreditam que precisamos de um líder forte e disposto a quebrar regras para consertar o país. O resultado do Brasil também é maior do que o registrado no mundo, de 49%. Embora no mundo, o índice tenha se mantido de uma edição da pesquisa para a outra, por aqui houve um crescimento de 5 pontos percentuais com a concordância desta afirmação. A França é o país que mais concorda com a questão (77%).
Sociedade corrompida
A pesquisa ainda apontou que o Brasil é o segundo país que mais acredita que a sua sociedade, como instituição, está corrompida. Oito em cada dez brasileiros (78%) concordam com a frase “a sociedade brasileira está corrompida”. O percentual é o mesmo da África do Sul e só fica atrás da Polônia, com 84%. O resultado brasileiro é o mais alto em comparação com todas as nações da América Latina e está muito acima da média global, de 54%.
“A percepção de que a sociedade brasileira está corrompida, não se alterou desde 2016, e perpassa todas as classes sociais e indivíduos de diferentes faixas etárias. De fato, outros dados sobre rumo e humor com relação ao país corroboram estes resultados, como o da pesquisa “What worries the World”, também da Ipsos, que mostra que 6 em cada 10 brasileiros acreditam que o Brasil está no rumo errado. É claro que o indicador de rumo é mais abrangente, sinaliza uma visão mais geral, que diz respeito à economia e questões sociais, mas a percepção de que há uma “fratura” na sociedade nos indica que o fenômeno da polarização ainda é percebido com bastante força”, afirma Priscilla Branco, gerente da área de Public Affairs da Ipsos.
Quando o tema é economia, sete em cada dez brasileiros (75%) acreditam que a economia do país funciona para beneficiar ricos e poderosos. O resultado mostra um aumento de seis pontos percentuais quando comparado ao último levantamento, de 2016. O índice global é de 70%.
“Isso é um claro indicador de que, apesar do país ter passado recentemente por uma eleição, a percepção com relação ao funcionamento do sistema não seguiu uma direção oposta. Em toda a América Latina, prevalece a percepção de que a economia dos países funciona para beneficiar os ricos e poderosos”, ressalta Priscilla.
Globalmente, mais de seis em cada dez entrevistados (66%) acreditam que os políticos e partidos tradicionais não ligam para pessoas comuns. No Brasil, o índice é maior, de 72%, registrando um aumento de três pontos percentuais em relação a 2016.
Imigrantes
No Brasil, cerca de 20% dos cidadãos concordam que o país estaria melhor se deixasse todos os imigrantes entrarem no país. O resultado é um pouco maior do que a média global, de 15%. A Índia é a nação que mais concorda com esse assunto (35%), seguido por Arábia Saudita (37%) e Estados Unidos e Peru, ambos com 22%. A Sérvia é o que menos concorda (5%).
O Brasil também apresenta um dos menores índices de concordância da América Latina com relação à afirmação “Os imigrantes tiram importantes serviços sociais dos reais brasileiros” (37%). No entanto, a concordância com esta afirmação subiu 10 pontos percentuais desde 2016. A média no mundo é de 43%.
A maioria dos brasileiros também concorda que, quando há escassez de trabalho, empregadores devem priorizar a contratação de mão de obra de brasileiros (60%). O resultado do país é igual ao registrado no mundo.
A pesquisa on-line foi realizada com 18,5 mil entrevistados em 27 países, incluindo o Brasil, entre 22 de março e 5 de abril de 2019. A margem de erro para o Brasil é de 3,5 p.p.

Autor(es)

  • Priscilla Branco Manager Public Affairs, Brasil

Sociedade