Índice de confiança do consumidor brasileiro apresenta queda, mas se mantém positivo

Confiança do consumidor recua em fevereiro com peso do presente, mas avanço nas expectativas futuras mantém índice no campo otimista

Cenário Brasil

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Ipsos registra retração no Brasil em fevereiro na comparação com janeiro. O índice nacional recua 2,5 pontos e atinge 52,7. Esse movimento devolve parte do avanço observado no início do ano — configurando uma correção da euforia de janeiro e um retorno aos patamares do final de 2025 —, mas mantém o indicador acima da marca de 50 pontos, revelando um otimismo mais tênue e cauteloso.

A análise dos componentes do índice sugere um descompasso claro entre o momento atual e o futuro. A queda de fevereiro é disseminada e mais intensa nos indicadores ligados ao "agora": o subíndice de situação atual cai 5,0 pontos, e o de mercado de trabalho recua 4,1. O subíndice de investimento também apresenta retração (-3,2). O conjunto sinaliza um consumidor sentindo as pressões de curto prazo e adotando maior prudência nas decisões de compra e segurança no emprego.

Em contrapartida, o subíndice de expectativas atua como um importante contrapeso ao recuo do presente, avançando de 64,1 para 66,7 pontos. O dado indica que o consumidor brasileiro não projeta uma deterioração contínua para os próximos meses, revelando uma resiliência nas projeções futuras que ajuda a ancorar o índice geral. Na comparação com fevereiro de 2025, o ICC brasileiro permanece em nível superior, sinalizando que a perda atual se insere como uma acomodação pontual de curto prazo, e não como uma reversão da trajetória de recuperação dos últimos 12 meses.

Cenário Global

No cenário internacional, o índice permanece praticamente estável em fevereiro, em 50,0 pontos (+0,1), interrompendo a sequência de altas mais consistentes e consolidando um patamar na linha exata de neutralidade. Os quatro subíndices globais – situação atual (40,8), investimento (43,2), expectativas (58,2) e mercado de trabalho (58,8) – apresentam variações marginais.

Entre os principais mercados, os Estados Unidos mantêm nível elevado de confiança, com 53,8 pontos, repetindo o patamar de janeiro e permanecendo acima da média global. A França apresenta ganho moderado no mês. Já a Argentina registra um dos recuos mais expressivos entre os países acompanhados (-3,9), movimento que reflete um ambiente econômico ainda marcado por forte ajuste fiscal e elevada sensibilidade do consumidor a mudanças de curto prazo nas condições de renda.

Fevereiro, portanto, desenha um quadro de estabilização global combinado a ajustes relevantes em alguns mercados específicos. No caso brasileiro, a queda do ICC ocorre em um contexto em que o presente perde força e cobra a conta do curto prazo, mas as expectativas seguem resilientes. Essa combinação revela um consumidor mais prudente no 'agora', mas que não projeta uma deterioração adicional para o horizonte econômico.

Autor(es)

  • Rafael Lindemeyer
    Rafael Lindemeyer
    Líder do Cluster de Experiência, Ipsos no Brasil

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