Simpatizantes de Lula e de Flávio Bolsonaro compartilham mais valores do que imaginam

Pesquisa realizada pela Ipsos-Ipec, a pedido da More in Common Brasil, revela detalhes.

Pesquisa realizada pela Ipsos-Ipec, a pedido da More in Common Brasil, que busca medir o descompasso de percepção entre simpatizantes de Lula e de Flávio Bolsonaro fazem do grupo adversário (perception gap), revela que lulistas e bolsonarista tendem a superestimar as diferenças que os separam. 

Para medir esse descompasso, os simpatizantes de Bolsonaro declaram o seu grau de concordância (de 0 a 10) com três afirmações associadas a valores tradicionalmente vistos como de esquerda. Em seguida, os simpatizantes de Lula foram convidados a dizer qual seria a concordância dos bolsonaristas com essas mesmas afirmações. Da mesma forma, os simpatizantes de Lula respondem sobre três afirmações associadas a valores tradicionalmente vistos como de direita. Depois, os simpatizantes de Bolsonaro respondem qual seria o grau de concordância dos lulistas com essas afirmações. 

As frases apresentadas consideram seis temas: combate ao crime, autonomia econômica, valorização da família, igualdade salarial entre homens e mulheres, oportunidades de ascensão social para a população mais pobre e defesa da democracia. 

Para facilitar a comparação dos resultados, foi criado um índice de concordância que varia de 0 a 100, obtido pela multiplicação da nota média atribuída a cada afirmação por 10. A comparação entre as respostas reais e as estimativas do grupo oposto permite medir o grau de distorção que cada lado tem sobre o outro. Aqueles que se autodeclaram simpatizantes de Lula somam 44% e os de Flávio Bolsonaro são 37%. Os que não simpatizam com ambos (18%) não são considerados na pesquisa. Cabe ressaltar que o estudo não mede intenção de voto. 

Os resultados mostram que, embora cada grupo imagine que o outro tenha posições muito distantes das suas, as respostas efetivamente registradas apontam para uma convergência em temas centrais da vida pública e social. “O principal resultado deste estudo é mostrar que a polarização brasileira é alimentada não apenas por diferenças reais de opinião, mas sobretudo por percepções equivocadas sobre quem está do outro lado. Os simpatizantes de Lula e de Flávio Bolsonaro imaginam adversários mais radicais do que os dados efetivamente mostram. Encontramos valores compartilhados, inclusive em temas que costumam ser apresentados como divisores.", diz Márcia Cavallari, head da Ipsos-Ipec.

Conforme ilustram os índices da tabela a seguir, os bolsonaristas se colocam mais favoráveis do que os lulistas imaginam sobre a ascensão social dos pobres (86 versus 69), igualdade salarial entre homens e mulheres (94 versus 73) e defesa da democracia (71 versus 65). 

 

Já os resultados abaixo mostram que os lulistas são mais alinhados do que os bolsonaristas supõem a respeito da pobreza não justificar o crime (86 versus 67), das pessoas buscarem a própria renda sem depender do Estado (84 versus 65) e da família ser a base de tudo (95 versus 72). 

grafico


Para Pablo Ortellado, da More in Common Brasil, os resultados ajudam a compreender um dos mecanismos centrais da polarização contemporânea: “Nosso estudo mostra que nossa visão dos adversários políticos é distorcida; que exageramos a expectativa das posições que os adversários efetivamente têm. Somos mais parecidos e temos mais coisas em comum do que pensamos. O que nos separa são as identidades políticas e os estereótipos que fazemos daqueles que adotam essas identidades.”

Metodologia

Pesquisa realizada pela Ipsos-Ipec, a pedido da More in Common Brasil, entre os dias 6 e 10 de agosto de 2026. Foram realizadas 2.000 entrevistas presenciais em 130 municípios brasileiros com pessoas de 16 anos ou mais. A margem de erro aproximada é de 2 pontos percentuais para total da amostra com nível de confiança de 95%. 

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