A origem da marca importa? Como a geopolítica e a tecnologia definem a escolha do carro pelos brasileiros

Tecnologia a bordo: o consumidor está disposto a esperar por inovações?

A nova edição do Relatório de Mobilidade da Ipsos, que ouviu pessoas em 31 países para entender como as escolhas de mobilidade moldam as nossas sociedades, destaca: as pessoas estão divididas em relação aos carros autônomos, e a falta de confiança de parte dos entrevistados diminui o entusiasmo pelas novas tecnologias. No Brasil, 25% dos entrevistados s afirmaram que se sentiriam seguros em um carro autônomo, mas a pesquisa mostra que, globalmente, há uma divisão: o número de pessoas que dizem que se sentiriam seguras num carro autônomo é o mesmo das que dizem que não se sentiriam (36%). 

Há também preocupações sobre a proteção dos dados pessoais dos indivíduos. Em comparação com a maioria na América Latina (51%) e na Ásia-Pacífico (50%), apenas 31% na América do Norte e 34% na Europa confiam nos fabricantes de automóveis para proteger os seus dados, à medida que os carros se tornam mais inteligentes. No Brasil, 31,6% nem concordam nem discordam da afirmação, mas as mulheres da Geração Z (23,5%) são as que concordam mais fortemente que seus dados pessoas serão protegidos pelas montadoras – os homens, 19,3%.

“Em algumas partes do mundo, as montadoras precisam fazer mais para construir confiança nessa área. A pesquisa revela que será preciso convencer o consumidor de que os sistemas são seguros e a privacidade dos usuários, uma prioridade”, destaca Marcelo Pereira, líder de pesquisas Automotivas e de Mobilidade na Ipsos.

Embora 55% em 31 países digam que aguardam ansiosamente por novas tecnologias a bordo, em grande parte da Europa as pessoas são mais propensas a discordar da afirmação. A China é o país mais propenso a aguardar por novas tecnologias em veículos (78%) e é o único país onde as pessoas prefeririam comprar um carro novo de uma empresa de tecnologia do que de um fabricante de automóveis estabelecido. 

Geopolítica influencia compra de automóveis

A pesquisa mostra ainda que a origem da marca de um automóvel tornou-se um fator decisivo na hora do consumidor fazer suas escolhas. Embora o Brasil se destaque como um dos países onde os consumidores menos se preocupam com a nacionalidade da marca, o mesmo não ocorre em outras localidades. 

Quando perguntados se evitariam comprar um carro fabricado por uma montadora de um país específico, 35% dos brasileiros responderam “provavelmente não” e 29% “certamente não”. No entanto, globalmente quase um em cada dois (48%) dizem que evitariam certos carros devido à origem da marca. O Japão é o país mais propenso a dizer isto (67%), enquanto 63% na China dizem o mesmo.

Em 2024, o Canadá foi o maior mercado de exportação para carros e caminhonetes leves dos EUA, mas após a tensão entre os dois países nos últimos 12 meses, os canadenses eram os mais propensos a dizer que evitariam veículos americanos (48%). Na média global, os veículos chineses (41%), indianos (38%) e americanos (24%) foram os mais prováveis de serem evitados.

Sobre a pesquisa

  • Realizada pela lpsos em 31 países com um total de 23.722 adultos
  • No Brasil, a amostra foi de aproximadamente 1.000 indivíduos.

  • A margem de erro para a amostra brasileira é de +/- 3,5 pontos percentuais.

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