Por Que as Marcas Ainda Sofrem Para Assumir o GAP dos Governos na Confiança das Pessoas?

As Marcas em Busca de Legitimidade na Ausência Governamental

A desilusão política com escândalos de corrupção, polarização e decisões que não refletem o interesse de parte da população, faz com que os governos estejam mais distantes e geram falta de confiança na população, abrindo espaço para que as empresas ocupem este lugar, com uma atuação mais próxima no dia a dia da população. Mas o descrédito não tange apenas ao cenário político: empresas, bancos e meios de comunicação são exemplos de instituições que atingem apenas o patamar intermediário de confiança entre os brasileiros, segundo o estudo “Índice de Confiança Social 2025”. Ainda olhando o mesmo levantamento, se analisarmos a série histórica dessas instituições, temos o patamar mais baixo em sete, três e sete anos, respectivamente, indicando a criticidade e generalização do tema.

Hoje, é maior a proporção de brasileiros que acreditam que o país está no rumo errado (59% em outubro/25) e outros índices socioeconômicos, como a consideração de emprego e investimento também têm caminhado horizontalizados, em patamar intermediário. Soma-se a isto que 64% dos brasileiros consideram que a economia do país está ruim atualmente – sendo que 48 % ainda crê que deve piorar nos próximos seis meses. Por outro lado, apenas 36% acreditam que a sua própria situação financeira está ruim hoje e as expectativas são positivas: 68% creem que vai melhorar no próximo semestre, o que indica a esperança depositada em diferentes atores para a contribuição com a vida individual.

Porém, mesmo com esta oportunidade, as marcas ainda sofrem para assumir este espaço e são diversos os fatores:

CONFIANÇA NA MARCA É FRÁGIL E SE CONQUISTA DIARIAMENTE

Conquistar a confiança do cliente é um desafio diário. Manter a consistência de entrega de produtos e serviços ao longo do tempo é um desafio em tempos de omnicanalidade, instabilidade socioeconômica, política e policrises, que exige processos, transparência e centralidade no cliente. Quando consideramos não apenas estes aspectos funcionais, o desafio é ainda maior: 81% dos brasileiros acreditam que os líderes de negócio devem se posicionar sobre os assuntos políticos e sociais (vs. 71% da média global). Ou seja, além dos desafios inerentes aos diferentes setores e serviços, coloca-se a imposição de questão comportamentais e afetivas para que os líderes de negócios tenham um discurso alinhado às expectativas de valores dos consumidores, pois mesmo o cumprimento dos aspectos objetivos já não é mais suficiente para a construção da confiança plena com a marca.

Nesse cenário, não é mais suficiente oferecer apenas o produto/serviço de modo funcional, mas criar vínculos e narrativas valorativas que tragam o consumidor para o cenário, o valorizem e alinhem a entrega desta narrativa com a prática.

Continue a leitura no livro digital: https://www.ipsos.com/pt-br/flair-2026

Autor(es)

Related news