Preocupações ancoradas em problemas do Brasil
A onda de agosto da pesquisa What Worries the World indica que as maiores preocupações dos brasileiros continuam ancoradas em problemas sociais e estruturais do país, com pouca variação mês a mês; as cinco principais preocupações no Brasil foram no mês foram Crime & Violência (42%, +1 ponto percentual em relação ao mês anterior), Pobreza & Desigualdade Social (35%, -1 p.p), Saúde (34%, -3 p.p.), Corrupção Financeira/Política (33%, +1 p.p.) e Impostos (31%, +3p.p.).
Neste contexto, a inquietação com o tema de imposto merece uma análise mais detalhada. Na comparação anual, a preocupação subiu sete pontos. A elevação da menção ao tema em agosto pode ter várias explicações complementares. Debates públicos sobre reforma tributária, notícias sobre elevação de tributos ou percepções de maior pressão fiscal tendem a aumentar a sensibilidade do público à pauta. Além disso, houve ampla cobertura na imprensa sobre medidas tarifárias entre países — o famigerado “tarifaço” de 50% em determinadas linhas de produtos realizado pelos Estados Unidos. Quando os temas são muito noticiados, como costumamos observar nos monitoramentos da pesquisa, sabemos que aumentam a visibilidade da pauta para a população e nesse caso das tarifas, faz crescer a percepção de que as pressões tributárias atingirão diretamente não só o mercado, mas também os consumidores.
As preocupações com crime & violência, saúde e pobreza/desigualdade permanecem elevadas por serem questões estruturais de longa duração. Violência, em especial, segue tendo alto impacto e de visibilidade cotidiana, como ressaltamos desde que a apreensão assumiu o topo do ranking.
No plano internacional, nos Estados Unidos, a agenda segue enfatizando os temas econômicos, com a inflação (38%, +3 p.p.) encabeçando por mais um mês o ranking americano. A corrupção financeira/política (27%, aumento de +4 p.p. segue em segundo lugar, em alta desde que as medidas polêmicas do presidente norte-americano passaram a despertar desconfiança de uma parcela significativa do eleitorado. Surpreendente, saúde volta ao top 3 de apreensão dos estadunidenses, com 25%, expressivos +6 p.p somente no último mês. Já na Argentina, pobreza & desigualdade (43%) e desemprego (50%) seguem como as grandes apreensões, como nos últimos meses. O fantasma da inflação, que havia deixado a agenda argentina no último ano, teve uma alta importante em agosto, +4 p.p., atingindo 35%.
Quanto à percepção de rumo do país, Brasil e Estados Unidos apresentam percentuais idênticos nesta onda: 62% dos entrevistados em ambos os países dizem que o país vai na direção errada, porém com movimentos opostos: enquanto o índice brasileiro teve uma melhora de 4 p.p., o americano caiu 6 p.p., o que pode ilustrar as percepções respectivamente positiva e negativa que os líderes de Brasil e EUA tiveram recentemente em seus países.”