Brasileiros concordam com a ação militar dos EUA na Venezuela e preferem neutralidade do Brasil
O levantamento revela que 51% dos brasileiros concordam totalmente ou em parte com a ação dos Estados Unidos contra a Venezuela; 28% discordam totalmente ou em parte; 6% não concordam, nem discordam da ação e 15% preferiram não opinar a respeito.
A concordância (total ou parcial) com a intervenção americana é mais expressiva entre brasileiros que possuem renda familiar maior que 5 salários mínimos (62%), os evangélicos (61%), quem tem de 25 a 34 anos (60%), aqueles cuja renda familiar é de 2 a 5 salários mínimos (59%) e os homens (58%). A pesquisa também apresenta a opinião dos eleitores dos candidatos que disputaram o segundo turno da eleição presidencial em 2022: entre aqueles que votaram em Jair Bolsonaro, o percentual de concordância com a ação chega a 73%, enquanto entre os eleitores de Lula, este índice é de 34%. Já a parcela que discorda total ou parcialmente da decisão do governo Trump é mais acentuada entre os moradores do Nordeste, onde atinge 35%.
Pergunta: Nos primeiros dias do ano, o governo dos Estados Unidos realizou uma ação militar na Venezuela e capturou o Presidente Nicolas Maduro e sua esposa. O(a) sr(a) diria que concorda ou discorda desta ação? (Estimulada - %)

Os percentuais apresentados podem não totalizar 100% devido a arredondamentos estatísticos.
Apesar do apoio à ação, não há uma percepção predominante entre os brasileiros quanto às motivações do governo americano. Para 26% dos entrevistados, a principal razão foi o controle do petróleo e dos recursos naturais da Venezuela. A defesa da democracia e dos direitos humanos dos venezuelanos aparece em segundo lugar, com 22% das menções, seguida pelo combate ao narcotráfico, com 18% das respostas. A garantia da segurança nacional dos Estados Unidos e o enfraquecimento dos governos de esquerda na América Latina são citados por 6% dos entrevistados, cada. Totalizam 23% os que não sabem opinar.
O controle do petróleo é considerado como a principal motivação especialmente entre os brasileiros mais instruídos (39%), aqueles com maior renda familiar (38% entre os que têm renda superior a 5 salários mínimos e 33% entre aqueles cuja renda fica entre 2 e 5 salários mínimos). Já a defesa da democracia e dos direitos humanos dos Venezuelanos são citados de forma mais significativa por evangélicos (31%) e eleitores de Bolsonaro em 2022 (30%).
"Os dados revelam uma dualidade na percepção dos brasileiros. Por um lado, há um apoio pragmático a uma ação de força contra um regime visto como autoritário. Por outro, há uma desconfiança histórica sobre as reais intenções de intervenções geopolíticas na América Latina, com o interesse econômico sendo visto como o principal motor", analisa Marcia Cavallari, head da Ipsos-Ipec.
Pergunta: Na sua opinião, qual dessas razões mais motivou a ação militar adotada pelo governo dos Estados Unidos contra a Venezuela? (Estimulada - %)

Os percentuais apresentados podem não totalizar 100% devido a arredondamentos estatísticos.
As opiniões sobre as consequências para o Brasil são variadas, refletindo a incerteza do cenário: 29% acreditam que a ação trará consequências negativas para o país, 23% veem impactos positivos e 28% avaliam que não haverá nenhuma consequência; outros 20% não souberam responder.
As consequências negativas são mais citadas por quem tem o ensino superior (41%), enquanto a crença de que serão positivas é mais forte entre os eleitores de Bolsonaro em 2022 (36%) e os evangélicos (30%).
Pergunta: O(a) sr(a) acha que essa ação militar dos Estados Unidos na Venezuela terá consequências positivas, negativas ou não terá nenhuma consequência para o Brasil? (Estimulada - %)

Os percentuais apresentados podem não totalizar 100% devido a arredondamentos estatísticos.
Quando questionados sobre como o Brasil deveria se posicionar, a resposta é contundente: dois em cada três brasileiros (66%) defendem que o país se mantenha neutro, ao passo que 17% acreditam que o Brasil deveria apoiar a ação militar, e 9% que deveria ser contra. Os que não sabem ou não respondem à pergunta somam 9%.
A opinião de que o Brasil deveria apoiar a ação dos Estados Unidos na Venezuela é mais significativa entre os eleitores de Bolsonaro em 2022 (28%) e os evangélicos (24%).
Pergunta: Na sua opinião, como deve ser o posicionamento do Brasil frente a essa ação militar dos Estados Unidos na Venezuela? O(a) sr(a) acha que o Brasil deve apoiar, deve ser contra ou se manter neutro? (Estimulada - %)

Os percentuais apresentados podem não totalizar 100% devido a arredondamentos estatísticos.
A pesquisa também mediu o receio de que uma ação semelhante pudesse ocorrer no Brasil. A maioria (57%) afirma não ter medo algum de que isso aconteça. Contudo, 37% dos entrevistados manifestam algum nível de preocupação, sendo que 14% dizem ter muito medo e 23%, um pouco de medo. Nessa pergunta, 6% não souberam ou preferiram não opinar.
A grande maioria dos homens (71%) e dos eleitores de Bolsonaro (70%) alega não ter qualquer medo de que o governo americano faça no Brasil o mesmo que fez na Venezuela. Ademais, 69% dos brasileiros com renda familiar superior a 5 salários mínimos e 66% daqueles com renda de mais de 2 a 5 salários mínimos têm a mesma opinião. Apesar disso, é considerável a parcela de mulheres (48%), de eleitores do Lula em 2022 (48%), de quem tem renda de até 1 salário mínimo (45%), de moradores do Nordeste (45%) e de pessoas menos escolarizadas (43%), que declaram ter muito ou um pouco de medo de que isso aconteça.
Pergunta: O(A) sr(a) diria que está com muito medo, um pouco de medo ou nenhum medo dos Estados Unidos fazerem no Brasil o mesmo que fizeram na Venezuela? (Estimulada - %)

Os percentuais apresentados podem não totalizar 100% devido a arredondamentos estatísticos.
Por fim, questionados diretamente sobre a probabilidade de uma ação militar americana similar ocorrer no Brasil, a percepção de baixo risco prevalece, embora com nuances. Um terço dos entrevistados (33%) classifica a chance como nula, e, somados aos 20% que consideram que há uma pequena chance, formam uma maioria de 53% que vê o cenário como improvável. Em contrapartida, o resultado indica que, embora a maioria não tema uma intervenção direta, a preocupação atinge quase quatro em cada dez brasileiros: 38% percebem um risco real de que algo semelhante aconteça no país, avaliando a chance como média (23%) ou grande (15%). Os que não sabem ou não respondem à pergunta somam 10%.
Para 33% dos brasileiros com renda familiar maior que 5 salários mínimos e para 28% daqueles que têm ensino superior, é pequena a chance dos Estados Unidos adotarem essa mesma medida no Brasil.
Pergunta: Na sua opinião, a chance dos Estados Unidos adotarem essa mesma medida no Brasil é: (Estimulada - %)

Os percentuais apresentados podem não totalizar 100% devido a arredondamentos estatísticos.
Para Marcia Cavallari, "a preferência massiva pela neutralidade é um recado claro da população para a diplomacia brasileira. O desejo por uma postura de 'não envolvimento' supera as divisões ideológicas e mostra um consenso raro em um país tão polarizado".
Sobre a Pesquisa
Pesquisa quantitativa realizada a partir de entrevistas pessoais e domiciliares, com o objetivo de levantar a opinião dos brasileiros sobre a ação realizada pelo governo dos Estados Unidos contra a Venezuela. O levantamento aconteceu entre os dias 10 e 14 de janeiro de 2026, quando foram realizadas 2000 entrevistas, em 130 municípios brasileiros. A amostra foi elaborada com base em dados do Censo 2022 e PNADC 2024, com controle de cotas pelas variáveis sexo, idade, escolaridade, raça/cor e ramo de atividade. O nível de confiança da pesquisa é de 95%, e a margem de erro máxima estimada para o total da amostra é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.