Brasileiros percebem riscos e interferência externa na classificação de facções criminosas como organizações terroristas pelos Estados Unidos
Pesquisa Ipsos-Ipec realizada entre os dias 13 e 17 de junho revela que população está dividida sobre os impactos da medida norte-americana de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. O levantamento mostra que o risco a moradores de comunidades dominadas pelas facções e interferência em assuntos nacionais lideram as preocupações. Foram ouvidas 2.000 pessoas no total e a margem de erro máxima estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.
Pontos mais críticos aos brasileiros
O risco para moradores de áreas dominadas pelo PCC e CV aparece como a maior inquietação: 56% dos entrevistados concordam (totalmente ou em parte) que a medida coloca em risco a população dessas comunidades, enquanto 33% discordam (totalmente ou em parte). Os que não concordam, nem discordam somam 2% e aqueles que não sabem ou não respondem atingem 8%.
A percepção de interferência externa também se destaca: 54% concordam que a decisão representa uma intromissão em assuntos que dizem respeito apenas ao Brasil, contra 35% que discordam dessa afirmação. Os que não concordam, nem discordam chegam a 4%, ao passo que a parcela que não sabe ou não responde é de 8%.
Ceticismo sobre benefícios à segurança pública
Quando questionados se a medida vai melhorar a segurança pública no Brasil, a opinião se mostra um pouco mais fragmentada: 48% concordam com essa possibilidade, enquanto 41% discordam. Entrevistados que não concordam, nem discordam da afirmação são 3% e aqueles que preferem não opinar somam 8%.
Impactos econômicos e cooperação policial
Sobre possíveis efeitos negativos, 48% concordam que a medida representa uma ameaça aos recursos nacionais, enquanto 39% discordam dessa possibilidade, 3% não concordam, nem discordam e 9% não opinam a respeito. Em um patamar semelhante estão os brasileiros que temem prejuízos à economia brasileira, 47% concordam da afirmação, ao passo que 41% discordam, 3% não concordam, nem discordam e aqueles que não sabem ou não respondem à pergunta somam 8%.
A cooperação entre as forças de segurança do Brasil e dos Estados Unidos é o ponto de maior divisão no levantamento: 43% concordam que a medida pode atrapalhar o trabalho conjunto das polícias dos dois países, mas outros 43% discordam da afirmação; aqui, 3% não concordam, nem discordam e 10% preferem não opinar.
Maioria dos brasileiros não veem ameaça ao PIX
Cerca de metade dos entrevistados (52%) discordam da ideia de que o sistema seria afetado pela medida norte-americana, enquanto um terço concorda com essa possibilidade; chega a 13% a proporção de entrevistados que não concordam, nem discordam com tal situação e totalizam 11% aqueles que não sabem ou não respondem ao questionamento.
“Os dados revelam um brasileiro cauteloso e atento às consequências práticas da medida adotada pelo governo norte-americano. A população demonstra preocupação legítima com os moradores de comunidades vulneráveis e enxerga a ação como uma possível interferência em questões internas. Ao mesmo tempo, chama atenção a discordância à narrativa de ameaça ao PIX: o brasileiro confia na manutenção do sistema que utiliza diariamente e acredita que ele está a salvo de interferências externas", analisa Márcia Cavallari, diretora da Ipsos-Ipec.
Pergunta: O governo dos Estados Unidos anunciou a classificação do PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Vou ler agora algumas frases que estão sendo faladas sobre esse assunto e gostaria que o(a) sr(a) me dissesse se concorda ou discorda de cada uma delas: (Estimulada – %)

FICHA TÉCNICA DA PESQUISA
Período de campo: a pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 17 de junho de 2026. Abordagem: pesquisa presencial. Tamanho da amostra: foram entrevistados 2.000 eleitores em 130 municípios. Margem de erro: a margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra. Nível de confiança: o nível de confiança utilizado é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem o atual momento. Solicitante: estudo realizado pela Ipsos-Ipec em sua pesquisa Omnibus (BUS) mensal.