Confiança do Consumidor Diminui em Meio à Persistência da Incerteza Econômica
Com recuo de 0,9 ponto em relação ao mês anterior, o índice de julho encerra o período com 51,1 pontos. Ainda que o indicador se mantenha acima da linha de neutralidade, o resultado interrompe o movimento positivo observado em junho e sinaliza que o otimismo do consumidor segue contido.
A retração reflete principalmente uma piora nas percepções sobre o presente e as expectativas para o futuro: tanto o índice atual quanto o de expectativas recuaram, sendo o segundo uma queda de 0,7 ponto no mês, indicando que parte da população enxerga com mais cautela o cenário econômico.
Entre os quatro subíndices, o destaque positivo continua sendo o mercado de trabalho. Com 53,3 pontos, o índice de empregos permanece como o segundo mais elevado entre os componentes do ICC, sustentando uma percepção relativamente estável de segurança no emprego e resiliência do mercado. Já o índice de investimentos, que mede a disposição para grandes compras e movimentações financeiras, se mantém abaixo da linha de confiança, com 47,6 pontos, sugerindo que o consumidor brasileiro segue prudente diante de incertezas econômicas e fiscais.
No cenário global, o ICC manteve-se praticamente estável em julho, com 48,1 pontos — uma variação negativa de apenas 0,1 ponto. O dado está alinhado ao patamar observado há um ano e reforça o comportamento contido da confiança em escala mundial. Coreia do Sul, Hungria e Alemanha se destacaram com os maiores avanços no mês — sendo que dois deles passaram recentemente por eleições nacionais, o que pode ter influenciado o otimismo da população, como já observado em edições anteriores do estudo. Já Itália e Malásia apresentaram quedas expressivas assim como a Argentina, que teve uma retração de mais de dois pontos e caiu para 44 pontos, um nível muito baixo. Com 51,1 pontos, o Brasil é o 11º país a superar a marca dos 50, superado por mercados como México, EUA e Reino Unido, segue sinalizando uma confiança moderada, mas ainda frágil.
Os dados de julho revelam uma confiança em compasso de espera. Ainda que indicadores de emprego sustentem certo otimismo, a percepção sobre o presente e o futuro segue instável, tanto no Brasil quanto no cenário internacional. A consolidação de uma tendência mais positiva dependerá da capacidade de resposta das economias a desafios como inflação persistente, juros elevados e desaceleração global.