De 27 países, Brasil é o 5º menos favorável à legalização total do aborto

Apenas 31% dos brasileiros acham que o aborto deve ser permitido sempre que uma mulher desejar; média global é de 46%

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  • Priscilla Branco Manager Public Affairs, Brasil
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O Brasil está entre os países menos favoráveis à prática do aborto. É o que mostra a pesquisa Global Views on Abortion, realizada anualmente pela Ipsos com 27 países de todo o globo. Dentre cerca de 1.000 entrevistados brasileiros, 3 em cada 10 (31%) acreditam que o aborto deveria ser permitido indiscriminadamente, ou seja, sempre que uma mulher assim o desejar. A média global é de 46%. Atrás do percentual brasileiro, estão apenas quatro nações – sendo três delas latino-americanas: Malásia (14%), Peru (15%), México (24%) e Colômbia (26%). 

Na metodologia do estudo, os respondentes deveriam escolher a frase mais representativa de seu ponto de vista: o aborto DEVE ser permitido sempre que uma mulher assim o desejar; o aborto DEVE ser permitido em determinadas circunstâncias, por exemplo, no caso de uma mulher ter sido estuprada; o aborto NÃO deve ser permitido em hipótese alguma, exceto quando a vida da mãe estiver em risco; o aborto NUNCA deve ser permitido, não importando sob quais circunstâncias; e, finalmente, não sei/prefiro não responder.

Enquanto 31% dos brasileiros partilham de um ponto de vista totalmente favorável ao aborto, 33% creem que deve ser permitido em casos específicos, como estupros. Entre os desfavoráveis, 16% acham que não deve ser permitido em momento algum, somente se a saúde da grávida estiver em risco, já 8% não apoiam a permissão do aborto em nenhuma circunstância. Por fim, 13% dos ouvidos no Brasil não souberam ou não quiseram opinar sobre o tema.

“A pesquisa revela que o tema do aborto no Brasil ainda pode ser considerado um tabu. Pela distribuição das respostas, nota-se uma divisão muito forte de opiniões na sociedade brasileira. Ao analisarmos o percentual de concordância com a frase ‘o aborto deve ser permitido sempre que uma mulher assim o desejar’, de 31%, notamos resultado expressivamente menor em comparação a outros países na América Latina, onde o debate sobre o aborto avançou na esfera pública nos últimos anos. Na Argentina, a concordância com essa frase é de 44% e, no Chile, de 41%”, analisa Priscilla Branco, gerente de Public Affairs da Ipsos no Brasil.

Histórico da causa: apoio cresce no Brasil

A pesquisa Global Views on Abortion é realizada pela Ipsos no Brasil desde o ano de 2014 e, ao analisarmos o histórico brasileiro, nota-se que a pauta do aborto já teve ondas de maior e menor apoio, mas em 2021 atingiu sua marca mais alta.

Em 2014, o percentual de entrevistados opinando que o aborto deveria ser permitido (medido pela soma das respostas “o aborto DEVE ser permitido sempre que uma mulher assim o desejar” e “o aborto DEVE ser permitido em determinadas circunstâncias, por exemplo, no caso de uma mulher ter sido estuprada”) era de 53%. %. Nos anos seguintes, o percentual oscilou entre 50% e 61%, até voltar a 53% em 2020. Neste ano, atingimos 64% - um aumento de 11 pontos percentuais em relação ao ano passado, o que coloca 2021 no ponto máximo da série histórica.

Quando consideramos todos os países, o histórico global se manteve estável. Em 2014 e 2015, o índice ficou em 72%. Em 2016, subiu para 75% e, no ano seguinte, voltou ao patamar de 72%. Nos anos de 2018, 2019 e 2020, o apoio à legalização do aborto ficou em 70%. Atualmente, está ligeiramente maior, em 71%.

Quem são os favoráveis à legalização?

No mundo todo, 73% das mulheres acham que o aborto deve ser permitido, contra 69% dos homens. Esse percentual soma as pessoas indiscriminadamente a favor e aquelas a favor sob determinadas circunstâncias. No que diz respeito à idade, os mais velhos, entre 50 e 74 anos, têm ponto de vista mais favorável à causa: 74% acham que o apoio deveria ser permitido (sendo que 51% acham deve ser permitido sempre que uma mulher quiser e 23% apoiam a legalização em casos específicos, como estupro). As faixas etárias de menos de 35 anos e 35 a 49 anos, possuem os mesmos índices: 44% apoiam indiscriminadamente e 25% sob determinadas situações, somando 69%.

Para finalizar o perfil, demonstram maior apoio à legalização do aborto os entrevistados com alto grau de escolaridade. 50% creem que deve ser permitido sempre que uma mulher o desejar e 24% apoiam a prática em casos determinados, totalizando 74%. Entre os que possuem um nível de educação médio, 70% demonstram apoiar a causa, sendo 44% a favor indiscriminadamente e 26% em algumas situações, como estupro. Os entrevistados com grau de escolaridade mais baixo são os que menos endossam a legalização do aborto. 44% acreditam que um aborto deve ser realizado sempre que uma mulher quiser e 22% acham que deve ser permitido em alguns casos, totalizando 66%.

A pesquisa Global Views on Abortion foi realizada na plataforma on-line Global Advisor no período entre 25 de junho e 09 de julho de 2021 com aproximadamente 20 mil entrevistados em 27 países. A margem de erro para o Brasil é de 3,5 p.p.
 

Autor(es)

  • Priscilla Branco Manager Public Affairs, Brasil

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