Eco dos Tempos: Como a Colisão Entre o Passado e o Presente Moldará o Fragmentado Futuro do Brasil
O Brasil de 2025 vive uma espécie de dobradiça histórica: de um lado, a atração confortável por um passado idealizado que traz alento em momentos de frustração com o cenário atual; de outro, as demandas urgentes por avanços econômicos, sociais e ambientais que o presente exige que continuem evoluindo. Essa tensão — entre a nostalgia e a necessidade de mudança — não é apenas cultural: assume feições políticas e ideológicas, e promete transformar o ano de 2026 em um ano de alta volatilidade e forte acirramento da divisão do país. O peso de termos um ano eleitoral em meio a este cenário, gera inúmeras reflexões e possibilidades, exploradas na edição do “Ipsos Flair Brasil” deste ano. Algumas recentes pesquisas Ipsos chancelam este contexto e nos ajudam a desenhar melhor esse cenário, oferecendo números que revelam a dimensão dessa fragmentação.
A NOSTALGIA COMO FORÇA POLÍTICA
Não é de hoje que comentamos que os brasileiros se sentem atraídos pelo apelo nostálgico. Dados da 9ª edição “Ipsos Global Trends”, lançada juntamente com o “Ipsos Flair Brasil” 2026, mostram que 60% dos brasileiros dizem que gostariam que o país fosse como era antes — um aumento de 4% em relação à mesma pergunta feita na onda de 2024 do estudo. Este quadro alimenta demandas por respostas emocionais e de retorno imediato, sendo que a nostalgia funciona como uma âncora afetiva: simplifica narrativas complexas e oferece modelos identitários fáceis e familiares para boa parte da população.
A ONDA CONSERVADORA E O CHOQUE COM O AVANÇO
Esta ideia de passado idealizado para refutar as dificuldades do presente também se manifesta no fortalecimento de uma onda conservadora, que aumenta principalmente entre os homens jovens da Geração Z. De maneira geral, o Brasil é e sempre foi um país conservador. A onda de 2025 da pesquisa Ipsos-Ipec sobre o Índice de Conservadorismo, que analisa o posicionamento dos brasileiros em temas como legalização do aborto, pena de morte, redução da maioridade penal, casamento homoafetivo e prisão perpétua para crimes hediondos, mostra que 49% da população se enquadra em um perfil com “alto” grau de conservadorismo, enquanto 44% estão no grupo “médio” e apenas 8% no de “baixo” grau de conservadorismo.
Embora seja inegável o aumento da importância e do alcance de agendas mais progressistas, ligadas à inclusão social, à diversidade e ao meio ambiente, o Brasil não saiu ileso ao backlash global que os movimentos anti-woke vêm promovendo diante do avanço destas pautas.
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