Fraturas da Globalização e Sociedades Estilhaçadas: A Tensão do Mundo em um Ano de Eleições
No momento em que produzimos este artigo (agosto de 2025), nosso mundo levanta muros e derruba pontes. Em meio a um tabuleiro geopolítico em frenética reação, o projeto da globalização das últimas décadas enfrenta sua maior crise de identidade. O que um dia foi tratado como caminho inevitável para a prosperidade – e para a convivência harmônica entre os países, hoje, é palco de desconfianças, retrocessos e disputas simbólicas. Nesse contexto, a imputação de tarifações punitivas e políticas agressivas de negociação se tornam mais do que um símbolo: assumem o papel de um personagem que encarna a tensão entre a integração global e a soberania nacional. O Brasil reproduz internamente exatamente as tensões vistas em muitos países, com lentes de percepção que são tão ou até mais discriminantes e definidoras do que qualquer segmentação com que estamos acostumados.
No ano eleitoral que já começa a se desenhar, esse estilhaçamento na visão do mundo deve ser compreendido e detalhadamente estudado – e aqui vão alguns dados que podem não apenas ajudar, mas que também devem trazer sua influência nas estratégias das marcas, instituições e agências, que terão sua missão social após os tremores da eleição.
UMA NOVA ORDEM: O EXEMPLO AMERICANO
Se em 2016 Trump foi um ponto de inflexão, em 2025 ele é confirmação. A volta ao poder simboliza não apenas a força de uma figura, mas a consolidação de uma perspectiva. A Reuters/Ipsos Trump Inauguration Survey mostra um país partido: 87% dos republicanos aprovam sua gestão, contra apenas 5% dos democratas. A dicotomia se repete em temas como imigração, economia, tributação e segurança, revelando um quadro no qual não há mais consenso nem sobre o que é o “rumo certo”.
Essa fragmentação de percepção não é superficial. É um embate sobre o significado do progresso. A retórica anti-imigração, por exemplo, é menos sobre as políticas de fronteira e mais sobre a proteção, a memória e o pertencimento. É um medo latente de perda de controle, amplificado por um mundo em transformação acelerada. E, nesse contexto, lideranças populistas oferecem algo simples e extremamente eficaz: culpados claros e promessas de ordem.
A percepção de que o país está “no caminho errado” encontra suporte de mais da metade da população, segundo uma pesquisa de agosto/2025. Trata-se de uma erosão dacoletividade e do otimismo, sintoma de uma nação, um mundo em dissonância.
A fragmentação das lentes sociais gera um terreno fértil para o conflito ideológico, e a confiança nas instituições tradicionais se esvai, substituída pela adesão emocional aos projetos de poder que prometem restaurar uma identidade em crise.
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