Para 6 em cada 10 brasileiros, IA vai transformar profundamente suas vidas nos próximos anos

Dados da edição do estudo 2026 revelam que, apesar de um pragmatismo mais cauteloso, 59% da população projeta forte impacto da tecnologia no futuro e 56% ainda enxerga mais benefícios do que desvantagens.

Dados do novo Monitor de Inteligência Artificial (IA) da Ipsos 2026, mostram que, desde a popularização do ChatGPT entre as edições de 2022 e 2023 do estudo, persiste uma divisão de sentimentos sobre a inteligência artificial: entusiasmo e preocupação convivem em níveis semelhantes. Em 17 dos 32 países pesquisados neste ano, as pessoas são menos propensas a acreditar que a IA traz mais benefícios do que desvantagens. O Brasil está nesse grupo: 56% concordam com a afirmação, uma queda de 2 p.p. em relação a 2025. O dado contrasta com países economicamente mais desenvolvidos como Estados Unidos (38%), Alemanha (37%) e Canadá (34%).

Apesar do menor entusiasmo inicial com a tecnologia, o estudo mostra que no Brasil os impactos ainda são altamente percebidos pela população. Quase a metade (48%) dos brasileiros concordam que produtos e serviços com IA mudaram profundamente sua vida diária nos últimos 3-5 anos, sendo que 52% se sentem "empolgados" com produtos e serviços de IA, enquanto 41% se sentem "nervosos". A expectativa para o futuro é ainda maior, uma vez que cerca de 6 em cada 10 brasileiros (59%) acreditam que a IA irá mudar profundamente suas vidas nos próximos 3-5 anos.

No que diz respeito à desinformação, o otimismo no Brasil é inverso. Apenas 31% dos entrevistados acreditam que a IA tornará a quantidade de desinformação na internet melhor, enquanto 37% acham que vai piorar. 

Mesmo assim, os brasileiros são menos pessimistas do que a média global (45%) sobre o aumento da desinformação causado pela IA. Embora a preocupação exista no país, o receio de que a IA piore a desinformação online é 8 pontos percentuais . menor do que a média mundial.

"O Brasil está amadurecendo sua visão sobre a IA. O otimismo inicial deu lugar a um pragmatismo cauteloso, mas o que mais chama a atenção é a nossa resiliência em relação à desinformação online. Enquanto o mundo demonstra um pessimismo agudo de que a IA vai piorar as 'fake news', o brasileiro se mostra menos fatalista e até um pouco mais esperançoso de que a tecnologia possa ser parte da solução. Isso reflete um país que, apesar dos desafios digitais, continua enxergando mais benefícios do que malefícios na inovação.", analisa Luciana Obniski, Líder de Curadoria e Tendências na Ipsos no Brasil. 

IA está tornando o trabalho mais eficiente, aponta estudo

Os dados do Monitor de IA 2026 revelam que o ganho de eficiência deixou de ser uma promessa para se tornar uma realidade prática. Na opinião pública, a tecnologia já é vista como uma ferramenta fundamental para otimizar o tempo e transformar a forma como as tarefas são executadas. 

Dois terços dos trabalhadores (62%) em 32 países afirmam que a IA lhes poupou tempo no trabalho nos últimos 12 meses. Aqueles com renda mais alta são, em média, mais propensos a concordar que a IA lhes economizou tempo (70%) do que aqueles que vivem em famílias de renda média e baixa (60% e 54%, respectivamente).

Entre os respondentes brasileiros, 6 em cada 10 trabalhadores (59%) afirmam que as ferramentas de IA economizaram seu tempo no trabalho no último ano. Além disso, 60% dos brasileiros acreditam que a IA melhorará o tempo que levam para realizar suas tarefas nos próximos 3-5 anos e 65% acreditam que a tecnologia mudará a forma como realizam seu trabalho atual nos próximos 5 anos.

Por outro lado, o medo de efeitos colaterais que envolvem desemprego permanece no país. Acima da média global, 42% dos brasileiros acreditam que é provável que a IA substitua seu emprego nos próximos 5 anos, um sentimento que é mais forte do que a média de 35% considerando todos os 32 países pesquisados.

"O estudo sugere que vivemos um paradoxo no mercado de trabalho brasileiro em relação à IA. Por um lado, já passamos da fase do 'hype' para a utilidade real: quase 60% dos nossos trabalhadores afirmam que a IA já está economizando tempo no dia a dia. Por outro lado, o fantasma da substituição de empregos é significativamente mais forte aqui do que no resto do mundo. Isso aponta que o brasileiro abraçou a eficiência da ferramenta, mas ainda exige clareza sobre o seu lugar no futuro do trabalho", aponta Obniski.

Metodologia

A pesquisa foi realizada pela Ipsos em 32 países, por meio de sua plataforma online Global Advisor, entre sexta-feira, 20 de março, e sexta-feira, 3 de abril de 2026 . A Ipsos entrevistou um total de 23.532 adultos com 18 anos ou mais na Índia, de 18 a 74 anos no Canadá, República da Irlanda, Malásia, África do Sul, Turquia e Estados Unidos, de 20 a 74 anos na Tailândia, de 21 a 74 anos na Indonésia e Singapura, e de 16 a 74 anos em todos os outros países.

No Brasil, a amostra consiste em aproximadamente 1.000 indivíduos. Os dados são ponderados para que a composição da amostra de cada país reflita melhor o perfil demográfico da população adulta, de acordo com os dados do censo mais recente.

A precisão das pesquisas on-line da Ipsos é calculada usando um intervalo de credibilidade, sendo que uma pesquisa com N=1.000 tem uma margem de erro de +/- 3,5 pontos percentuais e uma pesquisa com N=500 tem uma margem de erro de +/- 5,0 pontos percentuais. Para mais informações sobre o uso de intervalos de credibilidade pela Ipsos, visite o site da Ipsos.

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