Preocupações perdem intensidade no Brasil, mas segurança e corrupção seguem no topo da agenda

Levantamento de julho do Ipsos What Worries the World mostra redução na intensidade das principais preocupações dos brasileiros, enquanto crime, corrupção e saúde permanecem como os temas mais relevantes; cenário global também é marcado por estabilidade.

A edição de julho do Ipsos What Worries the World mostra um Brasil marcado por uma redução da intensidade das principais preocupações da população, sem alterações, no entanto, na hierarquia dos temas mais relevantes. Crime e violência seguem na liderança, com 43%, recuando -4 pontos percentuais em relação a junho, mas permanecendo 2 pontos acima do registrado em julho de 2025. Na sequência aparecem corrupção (36%, -3 p.p. no mês e +4 p.p. no ano), saúde (35%, estável no mês e -2 p.p. no ano), pobreza e desigualdade social (33%, -4 p.p. no mês e -3 p.p. no ano) e impostos (30%, +1 p.p. no mês e +2 p.p. na comparação anual). O movimento sugere uma acomodação das preocupações observadas nos meses anteriores, sem que isso represente uma mudança significativa na agenda de temas considerados prioritários pelos brasileiros. Por outro lado, enquanto os temas estruturais perdem um pouco de tração, preocupações mais pragmáticas ligadas ao bolso apresentaram leves altas, como Impostos (30%, +1 p.p.), Inflação (24%, +1 p.p.) e Desemprego (19%, +2 p.p.) 

A percepção sobre o rumo do país também apresenta uma leve oscilação. A parcela dos brasileiros que acredita que o Brasil está na direção certa recua para 39%, uma queda de -3 pontos percentuais em relação a junho, embora permaneça 5 pontos acima do registrado há um ano. Apesar da variação mensal, o comparativo anual indica que a percepção sobre a direção do país continua mais positiva do que a observada no mesmo período de 2025. 

No cenário global, os resultados também apontam para estabilidade. Crime e violência permanecem na liderança (32%), seguido por inflação (30%), desemprego (29%), pobreza e desigualdade social (29%) e corrupção (28%), todos com variações muito discretas em relação ao mês anterior. A percepção de que os países estão na direção certa permanece em 38%, sem alteração em relação a junho, reforçando um cenário internacional de estabilidade nas preocupações, ainda que em patamares elevados. 

Nos Estados Unidos, a inflação continua sendo a principal preocupação e alcança 46%, 11 pontos percentuais acima do registrado há um ano, refletindo a permanência do debate sobre custo de vida, tarifas comerciais e seus efeitos sobre os preços ao consumidor no país. Em contrapartida, a preocupação com corrupção financeira e política recua 9 pontos no mês, chegando a 29%, enquanto a percepção sobre o rumo do país melhora para 31% (+3 p.p.), indicando um ambiente um pouco menos pessimista do que o observado em junho, embora a confiança ainda permaneça em níveis moderados. No continente americano, os EUA têm a segunda pior percepção de rumo do país, atrás apenas do Peru (26%). 

Na Argentina, o desemprego permanece como principal preocupação, atingindo 60% (+3 p.p. no mês e +5 p.p. na comparação anual), seguido por pobreza e desigualdade social (45%, +3 p.p.). Ao mesmo tempo, a corrupção volta a ganhar espaço, chegando a 33% (+7 p.p.), movimento que acompanha os escândalos que culminaram na troca do chefe dos ministros sob acusações de mal uso de recursos públicos. Uma figura com alta aceitação até então. Em contraste, a preocupação com crime e violência permanece estável em 35%, mas segue 9 pontos abaixo do nível registrado há um ano, indicando que as questões econômicas continuam concentrando a atenção da população. A percepção sobre o rumo certo do país sobe levemente para 44%, embora permaneça -7 pontos abaixo do observado em julho de 2025.

 Na França, os dados mostram uma mudança importante na composição das preocupações. Crime e violência figuram entre os principais temas, alcançando 41% (+3 p.p.), enquanto mudanças climáticas registram o maior avanço do mês, saltando 14 pontos percentuais e chegando a 33%, empatadas com a inflação, que recua 5 pontos no período. O movimento coincide com a intensa repercussão das ondas de calor extremo e dos incêndios florestais que atingiram diferentes regiões da Europa durante o verão, recolocando os impactos das mudanças climáticas no centro do debate público francês. A saúde também ganha relevância, avançando para 31% (+8 p.p.), refletindo uma ampliação das preocupações da população diante dos efeitos desses eventos climáticos extremos. 

Os resultados de julho reforçam um cenário de continuidade nas percepções da população. No Brasil, a redução da intensidade de algumas preocupações não altera a predominância de temas estruturais, como segurança pública, corrupção e desigualdade, que seguem no centro da agenda. No cenário internacional, a estabilidade dos indicadores também prevalece, enquanto oscilações mais expressivas permanecem concentradas em contextos específicos de cada país, refletindo desafios e debates próprios de suas realidades nacionais.

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