Crime e violência seguem em mais um mês como principal preocupação dos brasileiros

Entre os movimentos do mês, o destaque fica para a retomada da preocupação com corrupção.

A edição de junho do Ipsos What Worries the World mostra um Brasil marcado pela estabilidade das preocupações que vêm dominando a agenda pública ao longo do último ano. Crime e violência seguem em mais um mês como principal preocupação dos brasileiros, com 47%, praticamente no mesmo patamar observado em maio, mas ainda 7 pontos percentuais acima do registrado em junho de 2025. Na sequência aparecem corrupção (39%, +2 p.p. no mês), pobreza e desigualdade social (37%, +1 p.p.), saúde (35%, estável) e impostos (29%, sem variação). O quadro reforça a permanência de temas estruturais no centro das preocupações da população, com poucas alterações na hierarquia observada nos últimos meses. 

Entre os movimentos do mês, o destaque fica para a retomada da preocupação com corrupção. Embora a variação mensal seja moderada, o tema volta a se aproximar dos níveis mais elevados observados recentemente, em um contexto marcado pela continuidade de debates sobre governança pública, como os novos desdobramentos das investigações do caso do Banco Master envolvendo o filme Dark Horse e outros questionamentos relacionados ao uso de recursos públicos. Ao lado da persistência das preocupações com segurança pública e desigualdade social, o dado sugere que a população continua sensível a questões ligadas à qualidade das instituições e à capacidade de resposta do Estado. 

Ao mesmo tempo, a percepção sobre o rumo do país segue melhorando. A parcela de brasileiros que acredita que o Brasil está na direção certa chega a 42%, com alta de 3 pontos percentuais em relação a maio e de 5 pontos na comparação como 12 meses. Trata-se de mais um avanço relevante do indicador em 2026 e de um sinal de que, apesar da manutenção de preocupações elevadas, o humor da população apresenta uma melhora gradual. 

No cenário global, os resultados também indicam um quadro de grande estabilidade. Crime e violência (32%) e inflação (32%) dividem a liderança entre as preocupações mais citadas, seguidos por desemprego (29%), pobreza e desigualdade social (29%) e corrupção (28%). As variações em relação ao mês anterior são mínimas, indicando que as principais tensões econômicas e sociais continuam presentes, mas sem novos fatores capazes de alterar significativamente a percepção global. A parcela de pessoas que acredita que seus países estão na direção certa recua levemente para 38%, mantendo um quadro internacional predominantemente marcado pela cautela. 

Nos Estados Unidos, a inflação continua sendo a principal preocupação, atingindo 45% dos entrevistados e registrando novo avanço em relação ao mês anterior. A corrupção financeira e política também segue em alta, alcançando 38%, nove pontos acima do patamar observado há um ano. O dado que mais chama atenção, no entanto, é o crescimento da preocupação com o extremismo, que salta 9 pontos percentuais em apenas um mês, chegando a 23% e ficando na terceira posição. O movimento ocorre em meio à intensificação da polarização política, ao aumento da visibilidade de grupos radicais e à ampliação dos debates sobre violência política e tensões ideológicas no país. O impacto desse ambiente aparece também na percepção sobre o rumo dos Estados Unidos: apenas 28% acreditam que o país está na direção certa, uma queda de 2 pontos percentuais em relação a maio, sendo uma das piores percepções de rumo do continente. 

Na Argentina, os resultados seguem refletindo um cenário de adaptação ao processo de ajuste econômico em curso. O desemprego permanece como principal preocupação, em 57%, seguido por pobreza e desigualdade social (42%) e inflação (39%). Apesar da estabilidade geral dos indicadores, chama atenção a continuidade da queda da preocupação com crime e violência, que chega a 35%, acumulando recuo de 10 pontos percentuais na comparação anual. O dado sugere uma mudança gradual de foco da população argentina para questões diretamente relacionadas à renda, emprego e custo de vida. Ao mesmo tempo, a percepção sobre o rumo do país apresenta uma leve melhora, alcançando 43%, resultado superior ao observado em boa parte do último ano, mas muito abaixo dos números registrados nos primeiros anos da gestão Milei.

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