Percepções dos internautas de 10 capitais sobre meio ambiente e mudanças climáticas

Enchentes se tornam o principal problema ambiental superando a poluição do ar, aponta pesquisa realizada com internautas de 10 capitais.

A pesquisa Viver nas Cidades: Meio Ambiente e Mudanças Climáticas é uma realização do Instituto Cidades Sustentáveis, com apoio do Sesc-SP. O levantamento foi executado pela Ipsos-Ipec entre os dias 1 e 27 de dezembro de 2025. Na ocasião foram realizadas 3.500 entrevistas em painel de internautas, distribuídas entre as cidades de Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Goiânia, considerando pessoas com 16 anos ou mais que moram nessas cidades há pelo menos dois anos.

O estudo revela que no último ano houve uma mudança na percepção dos internautas das 10 capitais brasileiras sobre os principais problemas ambientais. As enchentes e alagamentos são agora a maior preocupação, citados por 39% dos participantes, um aumento de 7 pontos percentuais em relação a 2024. A poluição do ar, que recua 18 pontos, passando de 52% em 2024 para 34% em 2025, agora ocupa o segundo lugar na lista de problemas ambientais.

Nota-se também outra mudança significativa, a preocupação com a crise climática parece ter saído do campo abstrato para se conectar com experiências concretas e cotidianas dos cidadãos. Além do avanço das enchentes, a pouca oferta de áreas verdes (de 16% para 23%) e o desmatamento (de 11% para 18%) também estão entre os destaques deste levantamento.

A realidade local: capitais sentem efeitos de formas distintas

A ascensão das enchentes como principal problema ambiental é uma tendência nacional, mas se manifesta de forma diferente em cada capital. Em Porto Alegre, a preocupação com enchentes e alagamentos é a mais alta do país, citada por 64% dos internautas. Em metade das cidades pesquisadas, este item já ocupa o primeiro lugar, incluindo Goiânia (50%), Belo Horizonte (49%), Recife (41%) e Rio de Janeiro (40%).

Em São Paulo, embora a poluição do ar ainda seja a principal queixa, há uma queda expressiva de 20 pontos percentuais, passando de 71% para 51%. Outras capitais também viram novas preocupações assumirem a liderança, como a poluição sonora em Fortaleza (45%) e a poluição dos rios e mares em Manaus (37%).

Impacto no cotidiano: calor excessivo perde força, mas segue em destaque, enquanto a poluição do ar preocupa mais

Quando questionados sobre o principal impacto das mudanças climáticas em suas vidas, o calor excessivo ainda é o mais lembrado, com 33% das menções. No entanto, este indicador teve um recuo de 16 pontos percentuais em comparação com 2024.

Em contrapartida, a percepção da poluição do ar como um impacto direto na vida das pessoas cresce 5 pontos, chegando a 22%. Ainda que em menor proporção, o reconhecimento do impacto das mudanças climáticas no preço dos alimentos vai de 11% para 15% no mesmo período. Esses apontamentos demonstram que a crise climática está cada vez mais associada a questões de saúde e custo de vida.

As exceções notáveis são Porto Alegre, onde as enchentes são o impacto mais sentido (34%), e São Paulo, onde a poluição do ar (31%) supera o calor excessivo (25%) como principal impacto percebido no dia a dia.

Protagonismo municipal: população acredita e cobra ação das prefeituras

A crença de que os governos municipais podem e devem atuar no combate às mudanças climáticas segue elevada e é praticamente um consenso. Para 84% dos internautas, as prefeituras têm um papel crucial a desempenhar, um patamar que se manteve estável em relação a 2024, mas que registra crescimento em Porto Alegre, Belém e Belo Horizonte.

Ao serem perguntados sobre quais ações os municípios deveriam adotar, a demanda por controlar o desmatamento e a ocupação das áreas de manancial se sobressai, sendo citada por 57% dos respondentes. Em segundo lugar, a ampliação das áreas de preservação ambiental aparece com 50% das menções. A demanda por construções sustentáveis, com uso de técnicas e produtos ecológicos apresenta um crescimento acentuado de 7 pontos percentuais, passando de 35% para 42% na pesquisa atual, indicando uma maior conscientização sobre a importância de um desenvolvimento urbano mais verde.

Sobre a Pesquisa
A Pesquisa Viver nas Cidades: Meio Ambiente e Mudanças Climáticas 2026 é uma realização do Instituto Cidades Sustentáveis, no âmbito do Programa Cidades Sustentáveis, e da Ipsos-Ipec, com apoio do Sesc-SP. O cofinanciamento é da União Europeia, como parte do “Programa de fortalecimento da sociedade civil e dos governos locais para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”. O projeto tem como parceiros institucionais a Frente Nacional dos Prefeitos e Prefeitas (FNP) e a Estratégia ODS.

O levantamento aconteceu entre os dias 1 e 27 de dezembro de 2025, quando foram realizadas 3.500 entrevistas online, em painel de internautas, com pessoas de 16 anos ou mais e moradoras das cidades de Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Goiânia, há pelo menos dois anos. A amostra foi elaborada com base em dados do Censo 2022, PNADC 2022 e em dados da Ipsos-Ipec, com controle de cotas pelas variáveis sexo, idade, classe social e ocupação. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro para o total da amostra é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e, para os resultados desagregados por capital, a margem de erro pode variar de 4 a 6 pontos percentuais, de acordo com a cidade.

Sobre o Instituto Cidades Sustentáveis
O Instituto Cidades Sustentáveis (ICS) é uma organização da sociedade civil criada em 2007, com o objetivo de fortalecer as instituições públicas e a democracia, bem como promover o debate sobre o enfrentamento das mudanças climáticas. Produzimos conteúdos, metodologias e ferramentas de apoio à gestão pública municipal e ao desenvolvimento de projetos em rede, utilizando como base indicadores de desempenho nas diversas áreas de atuação da administração pública.

A atuação do ICS envolve também a articulação, mobilização e sensibilização de gestores públicos municipais para a implementação de políticas públicas que promovam a melhoria da qualidade de vida da população em seus variados aspectos.
Esse trabalho é desenvolvido em duas frentes: a Rede Nossa São Paulo, com foco na capital paulista; e o Programa Cidades Sustentáveis, de âmbito nacional, voltado para todos os municípios brasileiros.
 

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