Pesquisa sobre a qualidade de vida em São Paulo

Dois em cada três moradores de São Paulo deixariam a cidade se pudessem; segurança é apontada como o principal problema

A Pesquisa Viver nas Cidades: Qualidade de vida é uma realização do Instituto Cidades Sustentáveis e da Rede Nossa São Paulo, em parceria com o Sesc-SP. O levantamento foi executado pela Ipsos-Ipec entre 1 e 27 de dezembro de 2025. Na ocasião foram realizadas 700 entrevistas em painel de internautas e considera pessoas com 16 anos ou mais que moram na cidade há pelo menos dois anos.
A pesquisa revela um sentimento de insatisfação entre os internautas que vivem em São Paulo: 67% dos respondentes declaram que sairiam da cidade para viver em outro lugar caso tivessem a oportunidade. Esse desejo massivo de mudança é um reflexo direto da percepção sobre a qualidade de vida e dos problemas urbanos enfrentados diariamente.

Qualidade de vida e o desejo de sair da cidade

Somam 36% os paulistanos que sentiram melhora na sua qualidade de vida no último ano (para 12% "melhorou muito" e para 24% "melhorou um pouco"). Já para a maioria, o cenário é de estagnação (40%) ou de piora (22%).
E ao serem perguntados sobre as políticas públicas que consideram mais importantes para melhorar a sua qualidade de vida, 63% indicam que seria o fortalecimento da segurança pública nos bairros. Em seguida, com 53% apontam a melhoria da atenção básica e da saúde de modo geral. Programas de emprego, renda e formação profissional aparece em terceiro lugar, com 39% das citações e o acesso a alimentos mais baratos e de qualidade, em quarto, com 37%. Nessa pergunta os respondentes poderiam selecionar até três respostas, portanto o resultado traz a soma de menções.
O levantamento aponta que mais de dois terços dos internautas deixariam a cidade se pudessem. O desejo de se mudar da capital é alto em quase todos os segmentos, mas se sobressai entre aqueles que perceberam uma piora na sua qualidade de vida e entre aqueles que avaliam a atual administração municipal como "ruim" ou "péssima", atingindo 77% e 75% nesses estratos, respectivamente.

Segurança é o principal problema da cidade

Quando questionados sobre o principal problema da cidade, a segurança foi apontada por 71% dos internautas paulistanos. Em outro patamar, menções à Saúde recuam na comparação com 2024, mas a área se mantém em 2º lugar, além disso, o transporte coletivo e a falta de áreas verdes ganham relevância.

Crise de confiança: políticos e instituições em baixa

Quando perguntados sobre qual instituição mais contribui para sua qualidade de vida, em uma lista com 17 opções, dois em cada dez respondentes (22%) afirmaram que nenhuma delas. Entre as mais citadas, considerando a soma das menções de primeiro, segundo e terceiro lugar, destacam-se as ONGs que trabalham no bairro (22%), as empresas privadas/empresários (22%) e a Igreja (18%).
A pesquisa mediu também a confiança dos internautas paulistanos em diversas instituições utilizando uma escala de 1 a 10. É expressiva a parcela que declara não confiar ou confiar pouco nas instituições avaliadas. O descrédito na classe política é notório, sobretudo nos membros do Legislativo Federal.

Ranking de Confiança (Média de 1 a 10):

  • Representantes de ONGs: 4,23
  • Empresários: 3,82
  • Ministros do STF: 3,67
  • Presidente da República: 3,47
  • Senadores: 2,73
  • Deputados Federais: 2,71

Avaliação da gestão pública municipal

A administração municipal e a Câmara de Vereadores apresentam índices relevantes de insatisfação.
A Prefeitura registra 15% de avaliação ótima ou boa, enquanto 44% dos respondentes a consideram regular e 36% a classificam como ruim ou péssima. Para 84% a administração é pouco ou nada transparente (51% e 33%, nessa ordem), ao passo que somente 6% acham que é muito transparente.
A reprovação da Câmara é mais intensa, a maioria (54%) avalia negativamente sua atuação, enquanto 33% acham que é regular e 6% a consideram ótima ou boa.

Baixo interesse político e recall de voto

A pesquisa também revela um distanciamento da vida política. A maioria dos internautas paulistanos (55%) afirma ter "nenhuma vontade" de participar da vida política da cidade. Ainda que tenha aumentado de 34% em 2024 para 41% agora neste levantamento, a parcela que demonstra algum interesse em participar da vida política da cidade.
O engajamento político é maior entre as pessoas mais otimistas, ou seja, é mais acentuado entre quem percebe melhora na sua qualidade de vida e entre quem avalia positivamente a atual gestão municipal.

Porém, o distanciamento se reflete na memória de voto para cargos legislativos:

  • 44% lembram o voto para Vereador em 2024 (eram 55% em 2024).
  • 42% lembram o voto para Deputado Federal em 2022.
  • 41% lembram em quem votaram para Deputado Estadual em 2022.
  • 39% lembram o voto para Senador em 2022.

Para Marcia Cavallari, diretora geral da Ipsos-Ipec, os dados indicam que, embora haja sinais de melhora na percepção da qualidade de vida e da gestão municipal em São Paulo, os problemas estruturais persistem. A segurança continua no topo das preocupações, seguida de saúde e de transporte coletivo, que ganha relevância nesta edição. A percepção de baixa transparência na administração e a desconfiança nas instituições seguem como pontos sensíveis - fatores essenciais para consolidar e fortalecer a democracia.

Sobre a Pesquisa

A pesquisa Viver em São Paulo: Qualidade de Vida é realizada pela Ipsos-Ipec e tem o apoio do Sesc. Ao todo, foram realizadas 700 entrevistas online, em painel de internautas, com pessoas de 16 anos ou mais e moradoras da cidade há pelo menos dois anos. A amostra foi elaborada com base em dados do Censo 2022, PNADC 2022 e em dados da Ipsos-Ipec, com controle de cotas pelas variáveis sexo, idade, classe social e ocupação. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro estimada é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos. O trabalho de campo foi feito entre os dias 1 e 27 de dezembro de 2025
Realizada no âmbito do Programa Cidades Sustentáveis, a pesquisa conta com o cofinanciamento da União Europeia, como parte do “Programa de fortalecimento da sociedade civil e dos governos locais para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”. O projeto tem como parceiros institucionais a Frente Nacional dos Prefeitos e Prefeitas (FNP) e a Estratégia ODS.

Sobre a Rede Nossa São Paulo

A Rede Nossa São Paulo (RNSP) é uma organização da sociedade civil que tem a missão de mobilizar diferentes atores sociais para construir, se comprometer e promover uma cidade mais justa, democrática e sustentável. Nossa atuação é pautada pelo combate à desigualdade, pela promoção dos direitos humanos, pela participação e controle social, e pelo respeito ao meio ambiente.

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