Uma Nova Onda Conservadora?
Sabemos, pela história, que as gerações alternam entre momentos de progressismo e conservadorismo, muitas vezes como resposta ao contexto social e econômico. Em meio a um cenário de instabilidade global e incertezas, estamos observando um período de intensas transformações que têm influenciado significativamente os comportamentos dos jovens. É quase uma mudança paradigmática nas atitudes e nos valores: estamos vendo um ressurgimento significativo de valores conservadores entre os jovens, capaz de redefinir o panorama social, político e mercadológico de maneiras imprevisíveis.
Os jovens estão se desprendendo de padrões sociais estabelecidos, evidenciando uma resposta singular às incertezas e frustrações da vida moderna. Um termo interessante foi explorado pelo historiador François Hartog como um “regime de historicidade”, ilustrado por um futuro cada vez menos visto como um horizonte de esperança e mais como uma fonte de ansiedade, com repetições do presente, gerando uma sensação de estagnação e falta de controle.
Diversos estudos mostram que tanto nos países desenvolvidos quanto nos emergentes, os jovens estão se sentindo cada vez mais desiludidos com a sociedade e expressando falta de perspectiva para o futuro.
Imaginemos uma geração nascida na era digital, vivendo suas vidas por meio de smartphones e redes sociais, mas ansiando por um passado que nunca experimentou. Este é o paradoxo que enfrentamos: um presente desafiador e um futuro incerto trazem um apelo natural ao passado. Essa parcela dos jovens busca alternativas fora do sistema, recuando para os sistemas antigos e encontrando ressonância em mensagens conservadoras.
A pesquisa “Ipsos Global Trends”, destacou atendência “Retreat to Old Systems”, que revela o anseio por retornar às estruturas de poder históricas em torno da religião, da política, do gênero e mais. Dados da pesquisa mostram, por exemplo, que 57% dos homens da Geração Z no Brasil “gostariam que as coisas no seu país fossem como no passado”, superando os Millennials e até mesmo os Baby Boomers nesse aspecto.
SE FÔSSEMOS ELENCAR AS RAÍZES
DESSE MOVIMENTO, TEMOS:
- Cenário econômico desafiador: a instabilidade econômica global tem afetado desproporcionalmente os jovens;
- Crise de identidade masculina: em um mundo que questiona constantemente os papéis de gênero tradicionais, muitos jovens homens estão buscando âncoras identitárias no passado;
- Déficit de habilidades sociais: a hiperconectividade digital paradoxalmente resultou em um declínio das habilidades interpessoais, levando muitos a buscar estruturas sociais mais rígidas e definidas;
- Algoritmos e radicalização: plataformas como TikTok e YouTube favorecem conteúdos polarizados, criando “câmaras de eco” que amplificam visões conservadoras extremas.
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