Saúde mental lidera preocupações dos brasileiros, citada por 58%, mostra pesquisa da Ipsos

Monitor da Saúde 2026 mostra avanço de seis pontos percentuais em um ano; percepção é maior entre mulheres, enquanto levantamento global revela impactos do estresse na rotina e no trabalho

A saúde mental se consolida como o principal problema de saúde percebido pelos brasileiros. Segundo o Monitor da Saúde 2026 (Health Service Report), realizado pela Ipsos em 32 países, 58% dos entrevistados no Brasil apontam o tema entre os maiores desafios de saúde enfrentados pela população. O percentual representa um avanço de seis pontos percentuais em relação a 2025 e supera a média global de 48%. O resultado coloca o Brasil entre os países com maior preocupação com o tema, ao lado de Alemanha e Colômbia, também com 58%. O ranking é liderado pelo Chile (75%) e pela Suécia (70%).

 

No Brasil, a percepção é especialmente elevada entre as mulheres: 68% delas identificam a saúde mental como um dos principais problemas de saúde do país, ante 47% dos homens, uma diferença de 21 pontos percentuais.

 

O levantamento também revela uma mudança na forma como a população mundial percebe os desafios relacionados à saúde. Em 2018, 27% dos entrevistados, em média, apontavam a saúde mental como uma das maiores questões de saúde de seus países. Em 2026, esse percentual chega a 48%, um crescimento de 21 pontos percentuais.

 

Desde 2023, o tema ocupa a primeira posição entre os problemas de saúde mais citados na pesquisa global da Ipsos, à frente de doenças como o câncer.

 

Estresse afeta a rotina e o trabalho

 

A preocupação com a saúde mental também se reflete nas experiências cotidianas da população. Na média dos 32 países pesquisados, 64% dos entrevistados relatam que o estresse afetou sua vida diária pelo menos uma vez nos últimos 12 meses, enquanto 61% afirmam ter se sentido tão estressados que não conseguiram lidar com a situação no mesmo período.

 

Além disso, 54% dizem ter experimentado sentimentos de tristeza ou desesperança quase todos os dias durante pelo menos duas semanas, ao menos uma vez no último ano.

 

Os impactos também alcançam a vida profissional e as relações sociais. Globalmente, 16% afirmam ter se afastado do trabalho ou dos estudos para lidar com questões pessoais de saúde mental, enquanto 17% deixaram de participar de encontros sociais ou familiares por esse motivo.

 

Os resultados sugerem que os efeitos das dificuldades relacionadas à saúde mental ultrapassam a esfera individual, alcançando diferentes dimensões da vida cotidiana.

 

“O avanço da preocupação com a saúde mental mostra que o tema passou a ocupar um espaço central na percepção das pessoas sobre saúde. Os resultados também chamam a atenção para os impactos do estresse na rotina, no trabalho e nas relações pessoais. Isso reforça a importância de olhar para a saúde mental não apenas sob a perspectiva do tratamento, mas também da prevenção e do cuidado contínuo”, avalia Adriana Ghobril, Líder de Pesquisas de Saúde na Ipsos Brasil.

 

Além dos desafios relacionados aos serviços de saúde, o levantamento também identifica os problemas de saúde considerados mais relevantes pelos brasileiros. A saúde mental lidera o ranking, citada por 58% dos entrevistados, seguida pelo câncer (37%), estresse (29%), abuso de drogas (27%) e obesidade (25%). Em seguida aparecem abuso de álcool (18%), diabetes (17%) e doenças cardíacas (15%). Os resultados refletem a percepção da população sobre os principais problemas de saúde enfrentados no país e não a incidência ou prevalência dessas condições na população.

 

Mulheres e jovens relatam maior impacto

 

As diferenças de percepção entre homens e mulheres observadas no Brasil também aparecem nos indicadores globais relacionados às experiências de saúde mental. Na média dos países pesquisados, 68% das mulheres afirmam que o estresse prejudicou sua vida cotidiana pelo menos uma vez no último ano, ante 60% dos homens. Quando questionadas se chegaram a se sentir tão estressadas que não conseguiram lidar com a situação, 66% das mulheres relatam essa experiência, em comparação com 56% dos homens.

 

A idade também é um fator importante. Entre os entrevistados com menos de 35 anos, 75% relatam impactos do estresse na rotina, percentual superior ao observado entre pessoas de 50 a 74 anos, entre as quais o índice fica próximo de 50%. O levantamento mostra ainda que 38% dos integrantes da geração Z relatam episódios recorrentes de tristeza ou desesperança, ante 15% dos baby boomers. O indicador considera os entrevistados que afirmam ter se sentido assim quase todos os dias por pelo menos duas semanas, diversas vezes no último ano.

 

Reconhecimento da importância da saúde mental não se traduz necessariamente em atenção cotidiana

 

Embora 78% dos entrevistados globalmente considerem a saúde mental e a física igualmente importantes, os hábitos relatados mostram uma diferença na atenção dedicada a cada dimensão do bem-estar. Enquanto 75% afirmam pensar frequentemente na própria saúde física, 63% dizem fazer o mesmo em relação ao bem-estar mental. A diferença entre reconhecimento e atenção cotidiana é mais um elemento destacado pelo estudo, que aponta para a necessidade de ampliar o olhar sobre o cuidado com a saúde mental.

 

Sobre a pesquisa

 

O Ipsos Health Service Report 2026 foi realizado por meio da plataforma on-line Global Advisor, entre 13 de julho e 7 de agosto de 2026, com 22.528 entrevistados em 32 países, incluindo aproximadamente mil participantes no Brasil. A amostra brasileira representa o segmento mais conectado da população, com perfil relativamente mais urbano, escolarizado e/ou de maior renda. Os indicadores de experiências pessoais com estresse, tristeza e bem-estar apresentados neste texto correspondem à média dos 32 países, enquanto os percentuais sobre a percepção da saúde mental como problema de saúde foram destacados especificamente para o Brasil.

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