Vacinação em Portugal: percebida como eficaz, segura e importante

Numa era em que a saúde pública enfrenta desafios a nível mundial, Portugal continua a ser um dos países com as melhores taxas de vacinação da União Europeia, onde a vacinação é percebida como eficaz, segura e importante. Existe uma forte consciencialização sobre a vacinação, mas traduzir-se-á isto numa atitude pró-ativa na procura de informação? E quais as fontes e meios utilizados para este fim?

A saúde pública tem recentemente enfrentado desafios a nível mundial. O tema da vacinação vs anti-vacinação tem suscitado verdadeiros debates e divisão de opiniões em todo o mundo. Inclusive, a Organização Mundial de Saúde (OMS) revelou no início deste ano as 10 principais preocupações para 2019 – uma delas, a hesitação à vacinação.

A OMS revela estar perante uma ameaça ao progresso que se tem vindo a sentir no combate a determinadas doenças, mas será Portugal parte maioritária (e proporcional) desta ameaça? Não parecem existir indicações. Embora os mais recentes surtos ocorridos em Portugal possam dar indícios de involução, segundo a Direção Geral de Saúde, os surtos tiveram origem em casos importados. Estudos recentes revelam, também, uma forte consciencialização por parte dos cidadãos portugueses face à importância da vacinação.

O pormenorizado estudo de 2018 elaborado pela Comissão Europeia, intitulado State of Vaccine Confidence in the EU 2018, forneceu dados estatísticos sobre o tema e concluiu que, dos países da União Europeia, Portugal tem a maior percentagem de inquiridos a concordarem que as vacinas no geral são seguras (95,1%), eficazes (96,6%) e importantes para as crianças (98,0%)*. 

Em linha com os estudos já realizados, os indivíduos que inquirimos no nosso mais recente inquérito sobre vacinação**, manifestaram uma atitude muito positiva face ao tema. Segurança, eficácia e importância das vacinas para as crianças e os idosos são alguns dos aspetos mais relevantes para esta perceção. Em consonância e segundo apenas 1% das respostas, os inquiridos não concordam com a afirmação ”Se levar um estilo de vida saudável não preciso de me preocupar com vacinas” – recordamos que a manutenção de um estilo de vida saudável e, por consequência, um sistema imunitário forte que dispensa a imunização com recurso a vacinas, é um dos argumentos defendidos pelos movimentos anti-vacinação.

Mas, traduzir-se-á esta consciencialização numa atitude pró-ativa face à procura de informação? Concluímos que sim. Quando confrontados com a frequência com que procuram informação sobre as vacinas que tomam, em especial no que diz respeito às suas eventuais reações adversas, 6 em 10 afirmam que o fazem sempre.

Neste processo, os médicos continuam a ser os principais conselheiros e influenciadores. Ademais, a esmagadora maioria (9 em 10) afirma seguir sempre as recomendações do médico, ainda que a importância que o mesmo assume varie de acordo com a fase do processo…

Numa primeira fase, quando o objetivo passa por obter informação sobre as vacinas que devem tomar, a maioria dos inquiridos afirma consultar o seu Boletim de Vacinas, com 71% de respostas, enquanto que a abordagem direta ao médico para procurar informação recolhe 67% das respostas.  Os restantes meios e fontes de informação têm pouco peso nesta fase inicial.

Por continuidade, quando procuram obter mais informação sobre as vacinas que já tomam e as suas eventuais reações adversas, o médico ocupa especial destaque com 86% das respostas. A Internet torna-se um meio importante para a recolha de informação (28% das respostas).

Dada a indiscutível credibilidade dos médicos como fonte de informação, confirma-se com isto a necessidade de os sistemas de saúde serem exemplares e elucidativos. Contudo, perante esta e outras fontes de informação utilizadas, interessa compreender as tendências geracionais por forma a descodificar potenciais níveis de atuação. Desta forma e de acordo com o questionário em análise, partilhamos, por fim, algumas diferenças na procura de informação e meios utilizados, em função das idades dos inquiridos:

 

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Ainda que menos envolvidos com a procura de informação face aos restantes segmentos, são tendencialmente os jovens (16-24 anos) aqueles que mais valorizam o word-of-mouth. Mais do que os restantes, os jovens procuram esclarecer as suas dúvidas junto do seu médico e em conversas com amigos e familiares da área da saúde, dando também uma maior importância à consulta do boletim de vacinas em comparação com as restantes faixas etárias.

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São os jovens-adultos com idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos aqueles que mostram menos preocupação em consultar o médico para esclarecimento de dúvidas sobre as vacinas e as suas eventuais reações adversas. 

Já os adultos com idades compreendidas entre os 35 e os 44 anos são aqueles que mais informação procuram na internet. Em paralelo, a farmácia assume um especial peso junto dos inquiridos destas idades. Os dados apontam para que estes inquiridos usem estas duas fontes de informação de forma complementar, fazendo uma pesquisa inicial e validando essa informação junto de uma fonte de confiança. 

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Para os indivíduos com 55 anos ou mais destaca-se a obtenção de informação junto de fontes que percebem como mais creditadas, como o são o médico e e os farmacêuticos. Em contrapartida, é o segmento que menos utiliza a internet para se informar sobre as vacinas que toma e as suas principais reações adversas.

O segmento 45-54 não apresentou diferenças face aos restantes. 


 

* Veja o estudo neste link 

** Questionário realizado através da plataforma Painel | Questionários OnlineForam realizadas 346 entrevistas, a indivíduos painelistas com mais de 16 anos, residentes em Portugal continental e ilhas, entre os dias 12 e o 26 de Março de 2019.

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