4 em cada 10 brasileiros querem voltar a trabalhar fora de casa ao fim da pandemia

Atualmente, 26% dos entrevistados no país dizem trabalhar em regime de home-office

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  • Marcos Calliari CEO Ipsos no Brasil
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A pandemia do novo coronavírus, que teve como uma das principais consequências a necessidade de um distanciamento social, fez com que se criassem novas configurações no ambiente de trabalho. Apesar do termo home-office – que faz referência ao trabalho em casa – ter se disseminado nos últimos 18 meses, no Brasil, o desejo que prevalece é o de retornar aos escritórios e outros espaços corporativos descolados do ambiente doméstico.

A pesquisa Return to the Workplace 2021 Global Survey, realizada pela Ipsos em 29 nações – o Brasil, incluso – apontou que 40% dos entrevistados no país desejam trabalhar fora de suas casas no pós-pandemia. Um percentual um pouco menor, de 31%, prefere trabalhar mais ou completamente em regime de home-office. 9% preferem trabalhar de casa o mesmo tanto que costumavam fazer antes da crise sanitária, 10% não souberam responder e 11% disseram que a natureza de seus trabalhos não permite escolher onde trabalhar. Na média global, o percentual de pessoas que deseja trabalhar fora de casa é de 33%.

“A pesquisa mostra que se faz absolutamente imperativa uma revisão no modelo de trabalho no Brasil. Nós apresentamos números parecidos nos dois extremos das preferências: há um certo equilíbrio entre as pessoas que querem seguir em casa e as que querem voltar ao escritório. As empresas terão que lidar com um cenário complexo e pensar em um modelo que respeite a peculiaridade individual de cada um de seus colaboradores”, analisa Marcos Calliari, CEO da Ipsos no Brasil.

No Brasil, 14% dos entrevistados dizem que trabalhavam em suas casas antes da crise de Covid-19. Na pandemia, o número cresceu para 26%. Já no mundo, eram 13% os que trabalhavam em home-office, e atualmente são 25%.

Entre os fatores que podem explicar os motivos pelos quais os respondentes brasileiros desejam voltar ao trabalho presencial, 58% dizem sentir saudades dos colegas de trabalho – contra 52% na média global –, 41% não se sentem engajados ao trabalhar de casa – um número um pouco superior à média global de 37% –, 38% alegam que o ambiente doméstico dificulta a produtividade – exatamente a mesma porção do que globalmente – e 35% se sentem mais exaustos quanto trabalham em regime home-office, alinhados com a média global de 33%.

“No caso dos brasileiros, a questão em volta de socialização e contato com as pessoas é um aspecto cultural que adquire um papel muito importante. Esta integração é desejada inclusive por parte dos empregadores, já que o engajamento com a empresa acontece muito a partir do engajamento entre colaboradores. Claramente há uma percepção maciça de que há prejuízos se o trabalhador não estiver presencialmente. Por isso muitas empresas que prematuramente declararam que nunca mais retornariam ao escritório estão revendo sua posição”, avalia Calliari.


O retorno aos escritórios

Para 27% dos entrevistados pela Ipsos no Brasil, ainda deve demorar de 6 meses a um ano para o retorno ao trabalho presencial. Somente 17% opinam que tardará menos de 6 meses, 15% acreditam que levará mais de um ano e 19% não fazem ideia. Além disso, 22% acham que, no que diz respeito ao aspecto profissional, as coisas nunca voltarão a ser como eram antes da pandemia de Covid-19.

Na possibilidade de um retorno híbrido, onde os empregados trabalham fora de suas casas algumas vezes por semana, 7% opinam que o ideal seria trabalhar em casa 4 dias por semana, 18% gostariam de ficar em casa 3 vezes por semana, 15% trabalhariam em home-office 2 dias por semana e 10% gostariam de trabalhar de suas casas uma única vez na semana. Além disso, 30% disseram preferir trabalhar de suas casas os 5 dias da semana e 20% não gostariam de trabalhar em casa nenhum dia da semana.

A pesquisa on-line foi realizada com 12.445 entrevistados de 29 países, sendo 1000 brasileiros, entre os dias 21 de maio e 04 de junho de 2021. A margem de erro para o Brasil é de 3,5 pontos percentuais.
 

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  • Marcos Calliari CEO Ipsos no Brasil

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