Brasileiro vive momento de "Carpe Diem" econômico: consumo e emprego em alta no presente mascaram desconfiança com o futuro

Análise detalhada do Termômetro Macroeconômico da Ipsos revela que, embora a confiança geral tenha subido, a expectativa para o próximo semestre recuou. Melhora na renda atual e segurança no emprego impulsionam compras de alto valor agora.

SÃO PAULO, 17 de fevereiro de 2026 - Se a manchete do início do ano é o otimismo do brasileiro, a análise detalhada dos dados revela um comportamento mais complexo e cauteloso. A nova edição do Termômetro Macroeconômico da Ipsos mostra que a alta na confiança do consumidor em janeiro não foi sustentada por promessas de futuro, mas sim por uma melhora concreta – e talvez vista como passageira – das condições de vida no presente.

Enquanto os indicadores que medem a satisfação com o momento atual dispararam, o "Barômetro do Futuro" (índice de expectativas) foi o único indicador a registrar queda no mês.

O "Bolso" e a "Coragem de Gastar": o grande destaque do mês foi a recuperação do poder de compra imediato. O subíndice de situação atual (Termômetro do Presente) teve alta de 4,2 pontos, e o de investimento (Termômetro do Bolso) subiu 3,0 pontos. Na prática, isso se traduziu em uma maior disposição para o consumo: a confiança para realizar compras de grande valor (como imóveis e carros) cresceu expressivos 7,0 pontos percentuais em relação a dezembro.

"O que observamos em janeiro é um comportamento de oportunidade. O brasileiro se sente mais seguro no emprego hoje e crê que sobrou um pouco mais de dinheiro no bolso agora. Por isso, a 'coragem de gastar' aumentou. É como se o consumidor dissesse: 'vou aproveitar para realizar meus planos agora, porque não sei como estará o cenário daqui a seis meses'", explica Rafael Lindemeyer, Diretor Sênior e Head do Cluster de Experience da Ipsos.

O Alerta no Horizonte: a euforia do presente contrasta com a frieza das expectativas. A análise dos dados mostra uma queda brusca na confiança sobre a situação financeira pessoal futura, que recuou 6,5 pontos percentuais.

Esse ceticismo é liderado pela Geração X e pelas mulheres, grupos que, embora reconheçam a melhora momentânea, demonstram maior preocupação com a sustentabilidade econômica para o decorrer de 2026.

Emprego - O Motor dos Jovens: outro pilar que sustenta o bom momento atual é a percepção de estabilidade. A sensação de segurança no emprego subiu 4,0 pontos percentuais, impulsionada fortemente pela Geração Z. Entre os mais jovens, 61,6% afirmam sentir-se mais seguros nas responsabilidades que exercem agora do que há seis meses, um reflexo direto do aquecimento do mercado de trabalho para quem está entrando ou se consolidando na carreira.

"O Termômetro Macroeconômico nos mostra que o brasileiro está vivendo um 'presente garantido', mas mantém o sinal de alerta ligado. A confiança subiu não pela esperança, mas pela realidade do contracheque e da carteira assinada. O desafio para os próximos meses será transformar essa satisfação momentânea em segurança de longo prazo em um ano de eleições", conclui Lindemeyer. 
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Informações Adicionais:

A pesquisa "What Worries the World" é um estudo mensal realizado pela Ipsos em 30 países, que monitora as principais preocupações dos cidadãos. Os dados de outubro foram coletados entre 24 de dezembro de 2025 e 9 de janeiro de 2026.

Autor(es)

  • Rafael Lindemeyer
    Rafael Lindemeyer
    Líder do Cluster de Experiência, Ipsos no Brasil