Para 61% dos brasileiros, morte de Marielle Franco está relacionada à sua atuação política

Mais da metade dos entrevistados (60%) acredita que vereadora foi morta porque defendia as pessoas que moram na favela. Dados do Pulso Brasil; pesquisa realizada entre 1º e 15 de abril. Margem de erro 3 p.p.

Para 61% dos brasileiros, morte de Marielle Franco está relacionada à sua atuação política

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  • Danilo Cersosimo Diretor, Ipsos Public Affairs, Brasil
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Seis em cada dez brasileiros (61%) acreditam que a morte da vereadora Marielle Franco, que completa dois meses nesta segunda-feira (14), está relacionada a sua atuação política. O índice é ainda maior entre os entrevistados da classe A/B (67%) e nas regiões Sul e Sudeste (ambas com 66%). Apenas 17% dos entrevistados disseram que a motivação para o assassinato de Marielle está mais relacionada à criminalidade do Rio de Janeiro. Os dados são da pesquisa Pulso Brasil, da Ipsos, realizada entre 1º e 15 de abril.

“A percepção de viés político no assassinato da vereadora Marielle Franco expõe a fragilidade das instituições e da democracia aos olhos da população”, diz Danilo Cersosimo, Diretor da Ipsos Public Affairs.

A pesquisa também mostrou que 60% dos entrevistados acreditam que Marielle foi morta porque defendia as pessoas que moram na favela. Mais da metade dos brasileiros (53%) disseram que a vereadora foi morta por causa do seu trabalho em defesa das vítimas da criminalidade.

“Esse resultado é preocupante pois fragiliza ainda mais a situação de vulnerabilidade daqueles que não tem voz ativa na sociedade”, acrescenta Cersosimo.

O crime sofrido por Marielle significa a falência do Estado do Rio de Janeiro para 66%, a fragilidade do papel das forças policiais no Rio de Janeiro para 62% e a falta de compreensão do papel dos defensores dos direitos humanos no país para 62%.

O assassinato da vereadora é amplamente conhecido pelos brasileiros. O estudo mostra que quase todos os entrevistados (93%) já ouviram falar do caso. Quando questionados sobre o debate em torno da morte da vereadora, 44% acreditam que o caso foi mais discutido do que se deveria, 20% disseram que foi discutido na medida certa e 22% opinam que foi menos discutido do que se deveria. Outros 14% não sabem ou não responderam.

“As opiniões sobre a intensidade das discussões a respeito do assassinato da vereadora Marielle se fragmentam tanto quanto está fragmentada a coesão e o senso de democracia da sociedade brasileira”, finaliza Cersosimo.

Quatro em cada dez entrevistados (38%) disseram que as investigações da morte foram mais discutidas do que se deveria. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, os índices ficaram mais baixos, em 28%. Já no Sul, o índice chegou a 53%, o mais alto entre todas as regiões.

No total, 1.200 pessoas foram entrevistas nas cinco regiões do país. A margem de erro é de três pontos percentuais.

Autor(es)

  • Danilo Cersosimo Diretor, Ipsos Public Affairs, Brasil

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