Promoção do Jogo responsável online: notoriedade, eficácia e pistas de desenvolvimento

Ricardo Viegas, PhD, Senior Researcher da Ipsos Apeme, foi convidado pela APAJO - a Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online - a participar no webinar digital “Responsible gambling tools and their impact on consumer behavior”, que ocorreu dia 4 de novembro.

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  • Ricardo Viegas Senior Project Manager
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No início do mês de Novembro, a APAJO - a Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online - organizou o webinar digital “Responsible gambling tools and their impact on consumer behavior”. O evento inseriu-se na European Safer Gambling Week, que ocorreu online entre dia 1 e 7 de novembro de 2021, com o tema “Fostering a Stronger Culture of Safer Gambling in Europe”.

Como o título sugere, o principal objetivo deste webinar foi discutir a utilidade e relevância das ferramentas de jogo responsável, assim como a sua eficácia real. Este foi o quarto webinar transmitido este ano pela APAJO.

Ricardo Viegas representou a Ipsos Apeme e deu a conhecer alguns dos principais findings do estudo “Visão geral do Impacto da Publicidade do Jogo Online na População Portuguesa”, elaborado este ano para a APAJO.

  • O estudo releva que, embora 8 em 10 inquiridos se recordem de algum tipo de publicidade a jogo online, apenas 12% do total da amostra recordam em detalhe a publicidade a jogo online.
  • Com efeito, a influência declarada da publicidade ao jogo online é baixa (apenas com 6% a afirmarem tal influência), resultados em linha com dados de outros mercados com maior maturidade, como o Britânico ou Australiano1, onde um aumento significativo do volume e investimento em comunicação das plataformas licenciadas nas últimas duas décadas e meia não se traduziu num incremento igualmente expressivo no número de apostadores.
  • Mais ainda, os dados mostram que a notoriedade das ferramentas de jogo responsável é relativamente elevada, sendo que 6 em 10 os inquiridos portugueses afirmam conhecer algum tipo de instrumento de controlo do jogo online.

Assim, embora os resultados do estudo no contexto português já mostrem que o atual quadro regulamentar está a funcionar eficazmente, é necessária mais investigação para responder ainda melhor às necessidades individuais dos jogadores. Os resultados científicos mais recentes revelam que, por exemplo, qualquer mensagem altamente individualizada apresenta uma taxa de resposta mais elevada, em virtude de uma resposta mais adequada aos diferentes perfis de jogador na população2, donde, ferramentas de rastreio comportamental podem ser instrumentos úteis na promoção de jogo responsável e na prevenção de comportamentos de risco.

No entanto, o senior researcher afirmou que "será necessário trabalho adicional neste campo, conduzido por Agências de Saúde Pública, Academia ou em estreita ligação com o sector privado". Dada a excelência que atualmente brota em cada ramo no contexto português3,4,5, este confessou-se agnóstico sobre o tipo de parcerias a estabelecer.

Ricardo Viegas acrescentou também que “a investigação integrada e multidisciplinar com vista a dimensionar o problema, mas também os mecanismos causais subjacentes seriam também essenciais, especialmente tendo em conta a literatura existente que já aponta para a necessidade de proteger alvos vulneráveis que apresentem deficiências ou que ainda estejam a desenvolver biologicamente o Controlo Executivo, bem como o Processamento Emocional, o que tem um forte impacto no julgamento e na tomada de decisões6,7. Tais esforços seriam muito bem-vindos, de facto, para esclarecer devidamente os assuntos em mãos e ajudar os diferentes stakeholders, sejam decisores políticos, reguladores, as plataformas de jogo, a tomar decisões informadas.

O webinar contou também com a presença de Sónia Torrão, Senior Compliance Manager na Betano Portugal, Dr. Mark Griffiths, Professor de Behavioural Addictions na Nottingham Trent University com vasta obra publicada sobre o tema, e Ricardo Domingues, vice-presidente da APAJO, com a moderação de Anne-Marie Furtschegger, Secretária-Geral da associação.

Assista ao webinar:

Webinar APAJO


Fontes:
1. Nerilee Hing, Lorraine Cherney, Alex Blaszczynski, Sally M. Gainsbury & Dan I. Lubman (2014). Do advertising and promotions for online gambling increase gambling consumption? An exploratory study, International Gambling Studies, 14:3, 394-409, DOI: 10.1080/14459795.2014.903989
2. Auer, M. & Griffiths, M.D. (2013). Voluntary limit setting and player choice in most intense online gamblers: An empirical study of gambling behaviour. Journal of Gambling Studies, 29, 647-660.
3. Ribeiro, C., Guerreiro, C. & Ferreira, L. (2021). Statistical Bulletin 2019: Gaming, gambling and internet. Lisboa: SICAD. Retrieved from: Gaming, Gambling an Internet 
4. Online Gambling Addiction Detection, using Data Science and Artificial intelligence. Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P. (Lisbon, Portugal) Grant DSAIPA/DS/0022/2018
5. Analyzing the interplay between emotion and decision-making to tackle pathological gambling. Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P. (Lisbon, PT) Project PTDC/PSI-GER/3253/2021
6. Reyna, V. F. (2018). When Irrational Biases Are Smart: A Fuzzy-Trace Theory of Complex Decision Making. Journal of Intelligence 6(2):29, DOI:10.3390/jintelligence6020029
7. Dong, G., Lin, X., Hu, Y., Xie, C. & Du, X. (2015). Imbalanced functional link between executive control network and reward network explain the online-game seeking behaviors in Internet gaming disorder. Sci. Rep. 5, 9197; DOI:10.1038/srep09197

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