Índice de Confiança do Consumidor - Julho de 2024

Índice volta a cair esse mês no Brasil. O país tem a segunda maior queda dentre os pesquisados no período de 12 meses.

Autor(es)
  • Marcos Calliari CEO Ipsos no Brasil
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O Índice de Confiança do Consumidor voltou a cair no Brasil no mês de julho. Dos sete meses deste ano, apenas dois (fevereiro e junho) apresentaram leves melhoras no indicador, o que reflete a grande instabilidade no humor dos consumidores. Embora os níveis ainda sigam levemente acima da linha da neutralidade (51,6 pontos numa escala de 0 a 100), o crescente pessimismo é um claro sinal de alerta que vem se acendendo nos últimos meses – o Brasil tem a segunda maior queda entre os 29 países pesquisados, se comparada a 12 meses atrás (-8,5 pontos).

As notícias no cenário macroeconômico seguem nada animadoras. Altas repetidas do dólar e instabilidade na IBOVESPA deixam o mercado agitado. O aumento do IPCA, subindo 0,21% em junho, puxado pelos preços de alimentos e a queda de 0,2% no índice Intenção de Consumo das Famílias (ICF), recém-divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram que os impactos diretos já são sentidos no bolso do consumidor, o que se reflete na queda de 0,8 pontos no Índice de Confiança da Ipsos.

Quando perguntados sobre o que acham da situação econômica do país hoje, 65% das pessoas entrevistadas no Brasil na pesquisa Ipsos dizem que acham que a situação está ruim, um aumento de +1 p.p. em relação ao mês de junho. Já quando perguntados sobre uma melhora da economia do país para os próximos 6 meses, 53% dos entrevistados por aqui acreditam num cenário melhor, uma queda de -2 p.p em relação a confiança de melhora declarada no mês passado.   
Um fato interessante de ressaltar, é que os brasileiros sempre têm uma visão mais positiva quanto a sua situação financeira pessoal do que com a situação do país. 39% dos entrevistados consideram a situação financeira pessoal atual como ruim, enquanto 66% acreditam numa situação financeira pessoal melhor em 6 meses.

Observando a situação de alguns outros países que temos acompanhado mais de perto, destaco da situação dos Estados Unidos. Embora os dados tenham sido coletados antes de fatos importantes, como a desistência da candidatura do democrata Joe Biden e do atentado contra o republicano Donald Trump, o índice americano já vinha e segue mostrando uma alta importante na confiança do consumidor (+2.2 p.p.) atingindo 56 pontos. Este segue sendo um indicador muito importante no ano eleitoral, já que os temas econômicos continuam sendo a principal apreensão dos estadunidenses.

Outro destaque interessante fica por conta do aumento de +0,5 pontos na confiança dos franceses que passaram recentemente por uma eleição – sendo que aumentos nos indicadores na França são raros, já que se trata de uma população naturalmente mais pessimista.

Por fim, olhando para Latam, destaco o mês bastante otimista do México, com um aumento de +2,0 pontos, atingindo 59,3 pontos. O país segue firme entre os três países mais otimistas do nosso ranking, atrás apenas de Índia e Indonésia, o que reflete bem o ótimo momento favorável do país, com projeções muito animadores de crescimento do PIB. 

Autor(es)
  • Marcos Calliari CEO Ipsos no Brasil

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