As implicações da COVID-19 na nossa dieta e saúde

Apesar de conscientes da possível ligação entre a obesidade e as consequências nos sintomas de COVID-19, quase um terço das pessoas a nível mundial ganhou peso durante a pandemia. Portugal não foi exceção, 41% dos portugueses admitem ter aumentado de peso desde que a pandemia começou.

O novo estudo global da Ipsos “Diet & Health Under Covid-19” realizado em 30 países, analisou o impacto da COVID-19 no estilo de vida, na dieta e na saúde dos indivíduos.

O estudo revela que embora muitos estejam conscientes da possível ligação entre a obesidade e a gravidade dos sintomas da Covid, uma percentagem considerável da população está a ganhar peso.

  • Durante a pandemia, quase um terço (31%) da população mundial aumentou de peso.
  • Muitos (45%) acreditam que existe uma ligação clara entre a obesidade e os sintomas mais severos da COVID-19.
  • A nível global, as pessoas acreditam que fazer exercício físico com regularidade (38%) e perder mais peso (17%) ajuda a reduzir a gravidade dos sintomas do coronavírus.

Quanto à prática de exercício físico, ao consumo de bebidas alcoólicas e tabaco, as mudanças de comportamento encontradas apresentam-se muito ténues:

  • Embora globalmente, mais de um quarto (27%) tenha feito mais exercício, 23% fez menos.
  • Globalmente, 1 em cada 10 começou a beber mais álcool desde o início da pandemia, enquanto uma percentagem igual (9%) bebeu menos.
  • Relativamente aos hábitos tabagistas, verificam-se mudanças pouco significativas (4% em todo o mundo desistiram e 3% começaram a fumar).

A pandemia COVID-19 impactou os hábitos e a saúde dos cidadãos em todo o mundo, mas ainda assim existe uma variabilidade notável de país para país:

  • No Chile e Brasil mais de metade dos indivíduos admitem ter aumentado o seu peso. Também na Turquia, África do Sul, Argentina, Espanha, EUA, Índia, Itália, Austrália e Arábia Saudita o mesmo aconteceu, tendo sido referido por 35% a 40% da população destes países. Por outro lado, China e Honk Kong são os países menos afetados - apenas 1 em cada 10 afirmaram ter ganho peso durante a pandemia.
  • Em linha com o aumento de peso, mais de metade das pessoas na China (57%) fizeram mais exercício desde o início da pandemia, contudo, mais de um terço das pessoas na Bélgica, Chile e Itália fizeram menos exercício.
  • Quanto ao consumo de bebidas alcoólicas, nos Estados Unidos da América e Austrália, cerca de um quinto (20%) da população bebeu mais álcool. Enquanto que um quarto (24%) dos sul-africanos bebeu menos álcool (possivelmente devido a restrições impostas).
  • A Índia é o país com a maior proporção de indivíduos que deixaram de fumar desde que a pandemia começou, com 12%. No eixo oposto, o Chile teve a maior aceitação face ao consumo de tabaco, com 1 em cada 10 a afirmar ter começado a fumar durante a pandemia.

Procurámos, também, conhecer os efeitos colaterais da pandemia na Dieta e Saúde dos portugueses:

Em Portugal e desde que a pandemia começou, cerca de 8 em cada 10 inquiridos (78%) afirmam ter verificado alguma mudança no seu peso, nos hábitos de exercício físico e também no consumo de álcool ou tabaco. 41% assumem ter aumentado de peso e também 41% afirmam ter feito menos exercício físico.

Quando analisados os extremos comportamentais em estudo, é possível encontrar uma ligeira tendência para um estilo de vida menos saudável:

  • Embora 41% tenham aumentado de peso, apenas 20% referem ter perdido.
  • Enquanto 41% referem ter feito menos exercício físico, 21% assumem ter feito mais.  
  • Para 15% dos entrevistados o consumo de bebidas alcoólicas aumentou, enquanto que uma proporção semelhante, mas ligeiramente inferior (11%) bebeu menos.
  • As mudanças nos hábitos tabagistas são mais ligeiras: 9% assumem ter passado a fumar mais, 3% menos e 2% assumem ter desistido de fumar.

Comparativamente com o estudo global, Portugal apresenta uma posição de destaque no que diz respeito aos hábitos prejudicias para a saúde. No ranking dos países cuja população mais peso ganhou desde o início da pandemia, Portugal ocupa o 4º lugar (a par da África do Sul - 41%), a seguir ao Brasil (52%), Chile (51%) e Turquia (42%). No que toca à diminuição de exercício físico, Portugal é o país que ocupa o primeiro lugar do ranking (41%). 

Alinhado a este estilo de vida tendencialmente menos saudável, os portugueses inquiridos não se distinguem pela adoção de hábitos que beneficiam a sua saúde. Relativamente ao aumento da prática de exercício físico e à perda de peso, Portugal encontra-se no meio da tabela ou abaixo.


 

Tenha acesso aos resultados globais da Ipsos e aos resultados de Portugal nos ficheiros disponíveis para download ⬇